Produção da Stara pode ser transferida do Estado

Motivo da mudança é a falta de construção de um trevo de acesso

Nestor Tipa Júnior

MARCELO G. RIBEIRO/JC

 Empresa vai esperar até o fim do mês por resposta, diz Trennepohl

Empresa vai esperar até o fim do mês por resposta, diz Trennepohl

A falta de investimento em um trevo de acesso para a fábrica da Stara (Stara S/A Indústria de Implementos Agrícolas), na RS-322, em Não-Me-Toque, está sendo a gota d’água para a possibilidade de a empresa transferir pelo menos 70% da produção de tratores e autopropelidos para o Centro-Oeste brasileiro. Representantes da empresa já estão sondando áreas nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Conforme o presidente da Stara, Gilson Trennepohl, o trato com o governo gaúcho foi feito em 2011, com a presença do governador do Estado, Tarso Genro. A empresa vai esperar até o final do mês por uma resposta do Estado para decidir se irá transferir a produção para o Centro do País. “Sem o acesso pela rodovia não podemos operar. Não temos como inaugurar nosso centro administrativo”, ressalta.
Trennepohl reclama que há burocracia e jogo de empurra dentro do governo para resolver a situação do trevo de acesso à empresa. “Um dia nos mandam falar com um secretário, este diz que o assunto é com outro, é um vai e vem e não se resolve a questão”, salienta. Hoje, segundo o presidente da Stara, o mercado do Centro-Oeste absorve pelo menos 40% das vendas da empresa. Se somadas regiões como Tocantins e Bahia, este número chega a 50%. “O Rio Grande do Sul representa apenas 18% do nosso mercado”, informa. Outro motivo de reclamação é um pedido não atendido de encanamento para levar água a um condomínio que vai abrigar funcionários da empresa.
O Secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Rio Grande do Sul, Mauro Knijnik, afirmou que o assunto será resolvido em um curto espaço de tempo. “O que era atribuição do governo nós cumprimos. Existem outras questões que são responsabilidade de outras esferas, mas reconhecendo a capacidade da Stara em gerar empregos e renda para o Estado, vamos tomar providências para acertar a situação”, salienta.
Recentemente a Stara também rompeu um acordo com a empresa argentina Pauny quando foi criada uma joint venture para a produção de tratores e pulverizadores. O projeto incluía a instalação de uma fábrica em Córdoba e a transferência de tecnologia dos argentinos para a produção em Não-Me-Toque. No entanto, o protecionismo do governo argentino fez com que a Stara recuasse na estratégia. “Com a economia argentina do jeito que está, não temos como trabalhar. Tivemos que abandonar todo o projeto de construção que tínhamos no País”, lamenta Trennepohl.
Com isso, o acordo de transferência de tecnologia foi firmado com a empresa italiana Argo Tractors. A Stara pretende lançar em setembro uma linha de tratores com 105 cavalos com componentes fornecidos pela marca europeia. O faturamento anual da Stara gira em torno de R$ 1 bilhão.

 

Fonte: Jornal do Comércio