Problemas climáticos geram perdas a produtor argentino

Os problemas climáticos que estão afetando o desenvolvimento das lavouras de soja e milho da Argentina nesta safra 2017/18 podem trazer prejuízos de US$ 5 bilhões aos produtores do país. Segundo informou o jornal "El Clarín", esse poderá ser o tamanho do rombo se levados em conta os atuais preços desses grãos.

Fontes consultadas pelo diário observaram que há falta de chuvas nas melhores regiões produtoras argentinas desde o fim do ano passado, enquanto no Norte do país o problema tem sido o excesso de precipitações.

"Vemos um impacto importante. Esperávamos repetir a safra recorde do ano passado, quando alcançamos quase 137 milhões de toneladas, mas não chegaremos a esse patamar. Na soja, ficaremos perto de 50 milhões de toneladas. A falta de água está ocasionando danos irreversíveis", afirmou o subsecretário da Agricultura da Argentina, Luis Urriza.

As perdas, se confirmadas, vão prejudicar a balança comercial da Argentina. No ano passado, conforme divulgou ontem a Bolsa de Comércio de Rosário, 43% das exportações do país foram de grãos ou subprodutos como farinha, farelos e óleos. De um total de US$ 58,4 bilhões exportados, US$ 23,5 bilhões saíram do campo ou de indústrias que compraram produtos agrícolas.

Somente o complexo soja (grão, farelo e óleo) e o girassol (sobretudo óleo) renderam US$ 18 bilhões, ou 31% das exportações totais da Argentina em 2017. Os embarques de milho, trigo, cevada, sorgo e arroz representaram US$ 4,8 bilhões.

Segundo o "El Clarín", Urriza destacou que, se chover nos próximos dias, certamente o panorama vai melhorar. E soja e milho poderão colaborar para as contas do país como o trigo, cuja colheita poderá atingir 18,5 milhões de toneladas na safra 2017/18.

Por Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte : Valor