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Primeira safra garante renda dos produtores

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Receita da safrinha de milho 2013/2014 não superou custos de produção em diversas regiões e gerou déficit aos agricultores; atraso no plantio de 2014/2015 deve comprometer resultados

Nayara Figueiredo

Custos de produção desta safra aumentaram entre 11% e 13%, impulsionados por defensivos agrícolas

Custos de produção desta safra aumentaram entre 11% e 13%, impulsionados por defensivos agrícolas
Foto: Divulgação

São Paulo – O cultivo apenas de soja, na última safra, foi mais rentável do que a produção alternada com o milho safrinha, pressionada pelo aumento de custos e queda de preços. A experiência de 2014 pode influenciar as decisões de um 2015 já prejudicado pelo atraso no plantio.

Segundo análise do boletim Ativos de Grãos, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), quem optou apenas pela oleaginosa conseguiu cobrir os custos totais de produção na maioria das regiões produtoras dos dois grãos. Em Londrina (PR), por exemplo, a receita para o sojicultor superou as despesas em 6,2%.

Para o agricultor que optou pelo plantio de soja seguido do milho segunda safra, o estudo constatou duas situações: faturamento insuficiente para pagar os custos ou margem de lucro mais apertada quando a receita foi maior do que as despesas.

"O preço do grão caiu em função dos estoques, então, a rentabilidade ficou negativa e uma cultura acabou financiando a subsequente", explica o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Alexandre Câmara. Para o especialista, o preço das sementes foi um dos gastos que mais pesou no bolso do produtor.

Viabilidade

Segundo a análise dos institutos, os atuais patamares de preços do milho, apesar da recuperação verificada em outubro, têm levado muitos produtores a questionarem a viabilidade de cultivo do cereal em sucessão à soja na chamada segunda safra.

"Somente em regiões produtoras mais próximas dos centros consumidores e dos portos de escoamento de produtos do Centro-Sul, onde as cotações são maiores, o plantio do milho seria viável em termos econômicos", diz o levantamento. Câmara esclarece que esta safra vai exigir cautela dos agricultores sobre implantar ou não a safrinha. Estima-se que para 2014/2015 os custos de produção tenham aumentado entre 11% e 13% em relação ao período anterior, com maior impacto no valor de defensivos agrícolas.

"Tudo isso deve ser colocado na mesa durante o planejamento da safra, que já aconteceu há dois ou três meses. Mesmo assim, o plantio ainda não terminou e os produtores não contavam com o atraso. O custo de produção e a tomada de decisões vão colaborar para que não haja problema sanitário no decorrer do cultivo", diz.

O produtor de soja, milho e sorgo da região norte do Mato Grosso do Sul, Almir Val Pasquale, conta que no período de 2013/2014 reduziu em 50% a segunda safra por atraso na janela de plantio. "Agora existe a possibilidade de o produtor optar pela exclusão da safrinha e com uma oferta menor ainda é possível chegarmos a preços melhores", acrescenta.

Replantio

Com a falta de chuvas no fim do vazio sanitário da soja, houve atraso na semeadura da lavoura em importantes regiões produtoras. Desta forma, o estudo constatou a necessidade de replantio, gerando mais custo e comprometendo a rentabilidade do produtor.

Este custo gerado pelo retrabalho, combinado com preços inferiores da oleaginosa na comparação com a safra passada, pode prejudicar a rentabilidade desta temporada. O Indicador Esalq/BM&F/Bovespa – Paranaguá teve média de R$ 63,69 por saca de 60 quilos entre os meses de agosto e outubro de 2014, valor 12% menor se comparado ao mesmo período de 2013, quando a receita ficou em R$ 72,40.

"O atraso vai comprometer a segunda safra e a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] já prevê uma redução de área plantada e na produtividade média", enfatiza.

Fonte: DCI