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Presidente da Unica diz que safra de cana foi "um desastre total" e pede redução de impostos do etanol

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Para Marcos Jank, é preciso dar competitividade ao produto brasileiro

Atualizada às 21h38

Diante de uma safra considerada desastrosa por técnicos do setor, o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirma que é preciso dar competitividade ao etanol brasileiro. A medida mais importante, para o representante dos usineiros, é a desoneração tributária do etanol, em especial do Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Hoje, as usinas pagam 9,25% de PIS/Confins.

– Estimamos que, em 2020, vamos produzir 1,2 bilhão de toneladas de cana e 40% vão para a produção de etanol. E a grande questão é a competitividade. O mais importante é a redução dos tributos que são cobrados sobre o etanol – diz.

Segundo ele, o etanol deveria ter o mesmo tratamento da gasolina, beneficiada pela redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

– Entendemos que o etanol tem que passar pelo mesmo processo. Hoje, a tributação que incide sobre a gasolina está na faixa de 35% do preço de bomba e a do etanol, em 31%. Achamos que deveria também haver redução sobre o etanol [para torná-lo mais competitivo] – aponta.

De acordo com o presidente da Unica, os Estados também poderiam reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), assim como ocorreu em São Paulo, que baixou de 25% para 12,5% a alíquota do imposto.

Crescimento apesar da crise do etanol

O consumo de combustíveis no país deve crescer 5% este ano em relação a 2010, mais que a variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, estimado em 3,5%. De acordo com o presidente da Petrobras Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, um desempenho que vem se registrando nos últimos anos. No ano passado, por exemplo, a alta foi aproximadamente 10%, ante crescimento de 7,5% da economia brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este ano, porém, além do crescimento menor do PIB, também influenciou no resultado o menor volume de combustíveis oferecido nas bombas, por causa da queda da safra da cana-de-açúcar e, consequentemente, da oferta de etanol. Com isso, caiu a oferta de álcool hidratado, que sai da bomba para o tanque do carro, enquanto a produção do etanol anidro, usado na mistura com a gasolina, aumentou.

Resultados negativos para a cana

A média histórica no campo é de 84 toneladas de cana por hectare. No mês passado, chegou a 69, ou seja, 20% de queda, conforme os dados da Unica. Foi a menor produtividade das últimas duas décadas.  Segundo levantamento da indústria, o clima seco de maio a setembro, além da geada e o surgimento de doenças e pragas são agravantes. O fato de mais da metade dos canaviais não ter sido renovada e até a mecanização, que já chega a 80% das lavouras que pertencem às usinas, afetaram a produtividade.

– A gente precisa crescer. Não podemos ficar parados. Nós vínhamos crescendo 10% ao ano até 2008. Reduzimos isso para 2,5% a 3%, nesse momento, e precisamos voltar a crescer pelo menos 9% – afirma Jank.

Cerca de 51,64% da cana que saiu do campo foram moídos para produzir etanol. O restante para açúcar. Apesar de ter sido uma safra mais alcooleira, foi o açúcar que manteve a rentabilidade, em função da exportação. Atualmente, 50% do açúcar consumido no mundo saem das usinas brasileiras. O empenho da indústria agora é para ampliar a produção de etanol hidratado, aquele que abastece o carros flex. É dele, diz o presidente da Unica, que depende o crescimento da indústria.

– A questão que se coloca hoje é o etanol hidratado, aquele que compete diretamente com a gasolina, que tem os preços congelados nestes últimos seis anos em termos de consumidor. É lá que nós perdemos competitividade, com os aumentos de custos que aconteceram – aponta.

Na avaliação do desempenho, os representantes da indústria traçaram também as metas para os próximos anos. Com a previsão de aumento de demanda tanto para açúcar quanto para etanol e também de energia, o Brasil vai precisar dobrar a produção no campo nos próximos 10 anos. Ultrapassar a casa de um bilhão de toneladas. Será necessário construir pelo menos mais 120 usinas pelo país. Pra tanto, o setor terá que investir mais de R$ 156 bilhões. Um terço no campo e o restante na indústria.

O representante do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar de Goiás (Sifaeg), Andre Rocha, diz que o clima não afetou de forma significativa a produção deste ano no Estado. Goiás foi num dos Estados em que a perda foi menor no país, com queda de 5,4%.

– É o estado que mais recebe investimentos. Queremos continuar crescendo e queremos contar também com o governo federal, políticas públicas, com a diminuição do PIS/COFINS pra que possamos também aumentar a produção e o consumo no nosso Estado e no país de etanol – explica.

O desempenho da nova safra no Brasil vai depender muito do clima ainda. É possível até que o Brasil volte a importar etanol, como fez este ano com mais de 850 milhões de litros.

Fonte: CANAL RURAL E AGÊNCIA BRASIL | Sebastião Garcia