Preços internacionais de lácteos caem ainda mais

O movimento descendente dos preços dos lácteos no mercado internacional ganhou força após um leve respiro no fim de 2015. Num cenário internacional abastecido, com produção crescente em importantes fornecedores globais e demanda fraca de grandes importadores, as cotações tiveram queda expressiva ontem no leilão de lácteos da plataforma Global Dairy Trade (GDT), que é uma referência para o mercado.

O leite em pó integral foi negociado a US$ 1.952 por tonelada, quase 10,8% abaixo dos US$ 2.188 do pregão anterior. Já o leite em pó desnatado teve queda menos acentuada – caiu para US$ 1.792 ante US$ 1.835 do leilão de meados de janeiro, conforme dados divulgados pela plataforma. Considerando outros lácteos negociados no leilão (como manteiga e queijo cheddar), a queda foi de 7,4% em relação ao pregão anterior, para um valor médio de US$ 2.276 por tonelada.

Os fundamentos do mercado continuam praticamente os mesmos dos últimos meses, segundo analistas. A produção de leite está em alta nos Estados Unidos e na União Europeia e a demanda segue desaquecida na China e na Rússia, importadores-chave desse mercado.

Além disso, há expectativa de queda na produção de leite da Nova Zelândia, maior exportador mundial de lácteos, na safra 2015/16. Mas, agora, a previsão é de uma redução inferior aos 6% inicialmente estimados, diz Valter Galan, analista da consultoria MilkPoint. As projeções mais recentes apontam para uma queda ao redor de 3%.

Assim, afirma, a queda do volume produzido na Nova Zelândia – de cerca de 300 milhões de litros – não bastará para "compensar" o aumento da produção nos EUA e na UE, ao redor de 1 bilhão e 2,6 bilhões de litros, respectivamente.

Nesse ambiente, a previsão de recuperação dos preços internacionais está "a cada dia mais distante", observa Laércio Barbosa, diretor do Laticínios Jussara. Galan, da MilkPoint, avalia que os preços do leite em pó integral no mercado internacional devem se aproximar dos níveis históricos – de US$ 3.200 e US$ 3.400 por tonelada – apenas no fim do segundo semestre deste ano ou no começo de 2017. Isso porque uma recuperação depende de uma reação da demanda por parte de Rússia e China.

No caso da China, os números de 2015 não são nada animadores. De acordo com dados compilados pela MilkPoint, as importações do país caíram cerca de 40%, saindo de 923,7 mil toneladas (leite em pó integral e desnatado) para 547,3 mil toneladas.

Um efeito da queda dos preços internacionais, segundo Galan, é o aumento da demanda por lácteos em regiões como Oriente Médio e Norte da África. Países dessas regiões estão aproveitando os preços baixos para fazer estoques.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor