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Preços do milho se aproximam do recorde histórico

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As cotações internacionais do milho ameaça atingir níveis recordes em meio ao crescente temor de que a estiagem que fustiga o Meio-Oeste americano seja a pior em décadas.

Na segunda-feira, os contratos futuros do milho para julho subiram 4% na bolsa de Chicago e fecharam a US$ 7,7525 por bushel, elevando para 29% a alta acumulada nas últimas três semanas, quando o calor intenso e a ausência de chuvas castigaram grandes Estados produtores como Illinois, Indiana, Iowa e Ohio. Ontem esses papéis recuaram para US$ 7,60, ainda bastante próximos do recorde histórico, de junho de 2011 (US$ 7,9975), quando os temores dos efeitos das enchentes sobre a produção fizeram os preços subirem.

O tempo quente e seco pode derrubar a atual safra americana em mais de 25 milhões de toneladas abaixo do projetado pelo governo dois meses atrás. Isso deixaria os estoques americanos relativamente apertados, conforme analistas.

O salto no preço do milho pode ter grande impacto econômico. O aumento eleva o custo da ração para produtores de gado, o que, por sua vez, pode provocar alta nos preços da carne. E também atingiria o consumidor em outras frentes: no valor de cereais, refrigerantes e outros alimentos industrializados. A alta já está derrubando o lucro das produtoras americanas de etanol.

Mas essa alta poderá arrefecer se a previsão meteorológica mudar ou se a demanda por parte de produtores de etanol ou pecuaristas cair em resposta aos preços elevados. Embora a temperatura no Meio-Oeste tenha caído nos últimos dias, a perspectiva de chuva no cinturão do milho nas próximas duas semanas continua relativamente baixa. Nesse ritmo, produtores e analistas temem que a atual seca seja a pior desde 1988, quando a estiagem derrubou em 31% a safra em relação ao ano anterior e deflagrou a consolidação de propriedades agrícolas no país.

Agricultores de boa parte do Meio-Oeste convivem há mais de um mês com a falta de chuva. O calor e a baixa umidade ganham força. Na semana passada, as temperaturas médias ficaram de 5,5 a 8 graus Celsius, acima do normal na região. Na semana passada, em cerca de 60% da área plantada com milho nos EUA havia seca de moderada a extrema, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O termo "moderado" indica condições de ausência de umidade registradas em intervalos de cinco a dez anos. A situação de seca extrema ocorre em intervalos de 20 anos a 50 anos.

A estiagem atinge a maior parte dos Estados de Illinois, Indiana, Missouri e Ohio – que respondem por 30% da safra de milho dos EUA. Em várias regiões importantes de cultivo nesses Estados, a temperatura há vários dias se mantém acima dos 38 graus Celsius. Em mais de dois terços do Estado de Iowa, o maior produtor de milho do país (19% da produção), a umidade do ar é atipicamente baixa ou a estiagem é moderada.

A seca atinge lavouras de milho durante a fase crítica da polinização, quando a umidade tem o maior impacto sobre o potencial rendimento. A polinização determina o número de grãos produzidos em cada espiga de milho, tornando o estrago nessa fase irreversível. "Venho plantando desde 1992 e não me lembro de outro ano tão seco assim e tão cedo", disse Kevin Cates, que plantou quase 530 hectares de milho durante a primavera no Hemisfério Norte na sua propriedade em Kingman, Estado de Indiana – onde as temperaturas ultrapassaram a marca de 38 graus Celsius por três dias consecutivos na semana passada. "A plantação mal está resistindo."

Segundo Cates, o pé de milho chega hoje a cerca de 1,2 metro de altura – quando já devia estar com de 2 metros a 2,5 metros. O agricultor conta que as folhas estão enrolando e amarelando. E em certas áreas, morrendo. Em zonas no norte do cinturão do milho, incluindo Minnesota, Dakota do Norte, Dakota do Sul e a região oeste de Iowa, a chuva que caiu foi adequada e as lavouras estão relativamente saudáveis, de acordo com o USDA. Minnesota, Dakota do Norte e Dakota do Sul respondem por cerca de 17% da safra dos EUA.

Alan Palmer, corretor independente de futuros em Chicago, espera que a seca continue a pressionar para cima os preços do milho. Há pouco, Palmer teve lucro assumindo posições no mercado de opções com a aposta de que a cotação em contratos futuros subiria. Hoje, devido à volatilidade, zerou as posições. "Essa seca parece ser para valer", afirmou, correndo para acrescentar que o mercado pode virar rapidamente se a previsão do tempo mudar.

Na segunda-feira, o USDA classificou como "boa" a "excelente" a situação de 40% da safra deste ano. É 16 pontos percentuais a menos do que duas semanas atrás e o pior índice para esta época do ano desde 1988. Em junho, o USDA projetou uma safra recorde de milho de 375 milhões de toneladas, superando a marca anterior de 328 milhões, de 2009.

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Fonte: Valor | Por Andrew Johnson Jr. | The Wall Street Journal, de Chicago