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Preços da soja disparam, e Brasil tem que produzir

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Os preços da soja aumentaram em todo o mundo. A seca quebrou a safra nos Estados Unidos (EUA), que são o maior produtor mundial. Especialistas calculam que o Brasil poderá produzir 80 milhões de toneladas. Mato Grosso é o maior produtor de soja e carne bovina do País. Em 2011/2012, o estado participou com 9% do volume mundial. Por isso, o Mato Grosso pretende ampliar a sua participação de 33% no total nacional da commodity. A alta cotação levará à expansão da área plantada naquele estado, com projeção de produzir 23 milhões de toneladas na safra 2012/13, aumento de 7,7% em relação à 2011/12, em uma área de 7,4 milhões de hectares. É um bom incremento, sem dúvida. O estado tem à disposição um banco de terras, hectares degradados e de baixa produtividade na pecuária, de mais de 7 milhões de hectares para serem convertidos à agricultura. Caso o Brasil se torne “o dono da soja”, como está previsto, o Mato Grosso continuará liderando. Mas para tanto, o País terá que produzir 10 milhões de toneladas a mais sobre o melhor desempenho, que ocorreu na safra 2010/2011, com 75,3 milhões de toneladas.

Com a quebra nos EUA, que poderá repercutir por cerca de dois anos, o preço futuro motiva o aumento de área no Mato Grosso. Segundo os técnicos em Cuiabá, as negociações estão travadas e se mantêm superiores aos R$ 50,00 por saca para entrega em março de 2013, um valor 25% superior à safra 2011/2012. E quase 58% desta nova safra estavam comercializados de maneira antecipada até o final de junho, ante 28% no mesmo período de 2011. A velocidade é reflexo da valorização internacional da commodity. Em uma projeção para 10 anos, a safra 2021/2022 poderá ser marcada pela produção de 32,8 milhões de toneladas em uma área de 9,8 milhões de hectares. Porém, para atingir 80 milhões de toneladas, além do clima e da tecnologia, o Brasil deverá superar seu atual recorde de área plantada, 25 milhões de hectares. Os EUA têm perspectiva de colher 83 milhões de toneladas de soja, 4,2 milhões abaixo do potencial inicial. Aí, o Brasil se tornará o novo “dono da soja”. Mas enquanto toneladas de soja percorrem mais de 2 mil quilômetros de Sorriso (MT) até o porto de Santos (SP) para embarcar rumo à China, na Argentina a distância entre a região produtora do grão até o porto não passa de 500 quilômetros. A região da grande Rosário concentra cerca de 80% da produção de soja na Argentina, cujo volume da safra 2010/2011 atingiu 50 milhões de toneladas. Além disso, num raio de 65 quilômetros existem 13 indústrias de esmagamento de soja, o que torna a região a maior esmagadora do mundo, com capacidade para 130 mil toneladas/dia. A soja roda em média 300 quilômetros em rodovias até chegar no complexo portuário de Rosário, de onde pode seguir diretamente para a China e para a Europa, constatou in loco a jornalista Marianna Peres, de Cuiabá. De quatro portos há poucos anos, agora são 12, com ações público-privadas. A logística da porteira para fora permite que o custo do frete de uma tonelada até o porto fique em torno de US$ 20, ante uma média de US$ 120 de Sorriso (MT) até o porto de Santos (SP), uma diferença de 500%. Dá o que pensar.

Fonte: Jornal do Comércio