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Preço internacional do café atinge menor nível em julho

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Parte da queda pode ser explicada pelo efeito do taxa de câmbio do Brasil.
De outubro a junho, o Brasil exportou recorde de 27,4 milhões de sacas.

Café (Foto: Oscar Herculano Jr./EPTV)Café (Foto: Oscar Herculano Jr./EPTV)

Os preços internacionais do café atingiram o menor preço em 18 meses em julho. Dados da Organização Internacional do Café (OIC) divulgados nesta segunda-feira (10) mostram que o indicador de preço médio da entidade registrou recuo de 4,2% na comparação com junho, para 119,77 centavos de dólar por libra-peso. Esse é o menor preço desde janeiro de 2014.

De acordo com o relatório mensal da entidade, parte da queda pode ser explicada pelo efeito do taxa de câmbio do Brasil. A OIC diz que "o mercado de café registrou recuo adicional em julho com os preços reagindo à desvalorização da taxa de câmbio do Brasil, que atingiu o menor valor em 12 anos na comparação com o dólar". Com o real fraco, é preciso ter menos dólares para comprar a mesma quantidade do grão no Brasil. Portanto, o valor em dólar acaba diminuindo.

Entre os vários tipos de grãos, a OIC nota que a queda mais expressiva no mês passado atingiu os "Brazilian naturals" (naturais brasileiros), cujo preço médio diminuiu 5,3% na comparação com junho, para 123,64 centavos de dólar por libra-peso. Diante do cenário observado no Brasil, a OIC diz que "não é surpresa" que os grãos brasileiros liderem o movimento. Grãos do tipo "Colombiano" tiveram queda de 4,9%, "Robustas" caíram 3,5% e outros tipos cederam 3,3%.

Além do efeito financeiro, a OIC também nota que o mercado brasileiro ainda tem um importante aspecto na produção a ser observado. "As preocupações com a produção no Brasil diminuíram em grande parte, apesar que alguns relatórios locais recentes reiteraram que a safra ainda pode estar sentido os efeitos da seca do ano passado", diz o relatório. "Isso poderia potencialmente resultar em um tamanho menor do grão, o que pode reduzir a produção global".

Exportações
O relatório da OIC mostra, ainda, a evolução das exportações dos maiores produtores ao longo dos últimos seis anos. Na atual safra, no período de outubro a junho, o Brasil exportou recorde de 27,4 milhões de sacas, mostra o estudo. O aumento dos embarques brasileiros foi classificado como "o movimento mais significativo" do mercado. "Essas exportações estão sendo encorajadas pela contínua depreciação do real brasileiro, que caiu ao menor patamar em 12 anos".

Entre os demais exportadores, os volumes do Vietnã mostram queda de 16,8% na comparação com a safra anterior, para 15,3 milhões de sacas. Na Colômbia, ao contrário, os embarques também cresceram e atingiram 8,9 milhões de sacas no mesmo período entre outubro do ano passado e junho deste ano. No vizinho sul-americano, a OIC nota que o programa de renovação da lavoura e a depreciação do peso colombiano explicam a melhora dos números.

Fonte : Globo