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Preço do café exportado continua em queda

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A persistente queda das cotações internacionais de café continua a erodir o valor dos embarques nacionais do produto. Voltou a ser assim em julho, primeiro mês da safra 2015/16. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compilados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), o volume das vendas alcançou 2,8 milhões de sacas de 60 quilos, 8% menos que julho de 2014, mas a queda da receita foi de 19,7%, para US$ 455,1 milhões, já vez que o preço médio das sacas que deixaram o país recuou 12,7% na comparação.

De acordo com as estatísticas do CeCafé, foi a sétima desvalorização mensal consecutiva do preço médio do produto exportado. Em relação a junho, a redução foi de 0,3%; na comparação com a média de dezembro, chegou a 18,8%. O movimento, que está em linha com as oscilações do café arábica na bolsa de Nova York – a espécie representou 83,8% dos embarques brasileiros de café verde em julho – reflete a alta do dólar sobretudo em relação ao real, que estimula o produtor brasileiro a vender, e também a recomposição da oferta global depois da severa e prolongada seca na região Centro-Sul do Brasil em 2014.

Nesse contexto, as incertezas sobre o tamanho da safra recém-iniciada no país, que lidera as exportações globais de arábica, até agora não tiveram força para esvaziar essa pressão. Mas cresce no mercado a expectativa de que pode estar chegando a hora de uma virada. Em entrevista ao Valor, Jefferson Carvalho, analista do Rabobank Brasil, notou que as estimativas para a produção brasileira em 2015/16 vão de 40 milhões a pouco mais de 52 milhões de sacas, mas que mesmo se o "teto" prevalecer o país não conseguirá atender às demandas doméstica e externa sem redução de estoques.

E esse "teto", previsto pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), parece cada vez mais distante, em razão dos efeitos adversos provocados pela seca de 2014 sobre a safra atual. Na sexta-feira, o Conselho Nacional do Café (CNC) reiterou que a colheita deverá ficar próxima de 40 milhões de sacas neste ciclo.

Por Fernando Lopes | De São Paulo
Fonte : Valor