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Preço da areia sobe 35% com impasse em extração

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Transportadores e depósitos cobram solução em protesto na Capital

Patrícia Comunello

ANTONIO PAZ/JC

Manifestação do setor foi por transportadores e proprietários de depósitos

Manifestação do setor foi por transportadores e proprietários de depósitos

A proibição de extrair areia do rio Jacuí inflacionou o preço do insumo no mercado gaúcho. As jazidas respondiam por 90% da oferta da matéria-prima adquirida por construtores. Pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-RS) aponta que em junho a areia lavada subiu quase 35%, elevando o reajuste acumulado no ano para 53,8%, e para 57,4% em 12 meses. O produto liderou as altas dos custos do setor no mês, impactando em 1,75% o custo unitário da construção (CUB) em algumas categorias do indicador. O concreto, composto por areia, foi o segundo item entre insumos com maior elevação, 3,74% no mês, e 8,16% desde janeiro.  Materiais e mão de obra respondem por 90% do preço global de uma obra.
Um protesto de transportadores e distribuidores da matéria-prima levou dezenas de caminhões para as ruas de Porto Alegre entre o começo da manhã de ontem e a tarde. O trajeto seguiu pela avenida Castelo Branco, por ruas e avenidas centrais. O tráfego chegou a ser interrompido por volta das 12h na ponte do Guaíba. A manifestação, que se repete desde a proibição da extração, ocorrida em 15 de maio por decisão da Justiça Federal, foi liderada pelo Sindicato dos Depósitos, Distribuidores e Comércio de Areia do Rio Grande do Sul (Sindareia-RS) e Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Marítimos e Fluviais do Estado do Rio Grande do Sul (Sinflumar).
A direção do Sinflumar alega que foram demitidos 300 trabalhadores do segmento e cobrou resolução ao impasse.
Representantes dos sindicatos da construção civil e de obras pesadas e área pública alegam ainda desabastecimento ou atraso na entrega de 30% das encomendas. Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, algumas empresas registram mais que o dobro do valor do produto, trazido agora de localidades mais distantes e do Sul de Santa Catarina. “É efeito da escassez e do custo de frete. Muitas pagam o dobro e recebem 60% dos pedidos. A alta na construção pode chegar a 2%”, descreve o dirigente do sindicato da construção civil. Garcia reclama da demora na definição sobre a retomada da extração e defende que um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TCE) seja firmado entre Estado e MPF.
Garcia criticou a posição do Ministério Público, que condicionou qualquer acordo à realização de estudos sobre as jazidas e o zoneamento ecológico econômico, a ser feito pela Fepam. As duas medidas ainda não foram contratadas e podem levar anos. O diretor do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado (Sicepot-RS), Nilto Scapin, propõe monitoramento dos órgãos de fiscalização para assegurar extração regular. Scapin aponta que a carência de areia reduz o ritmo da execução de projetos da Copa do Mundo, na Capital, como BRTs, viadutos e trincheira. A coordenação das obras da Copa garante que o cronograma não foi afetado pelo problema. 
Diante da cobrança dos protestos, o Ministério Público Federal esclareceu, em nota, que a proibição decorre de decisão judicial. Uma comissão de manifestantes foi recebida pelo órgão. Na Justiça Federal, ainda se mantém indefinida a contratação de peritos para avaliar o impacto da extração. O MPF enviou parecer contrário a um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As mineradoras, que terão de custear o estudo, não concordam com o valor do trabalho, de R$ 3,5 milhões. Recurso impetrado pela Somar, que está entre as maiores operadoras das jazidas do rio, anda não teve julgamento do TRF4.

Fonte: Jornal do Comércio