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Prejuízo da Terra Santa diminuiu em 2016

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Vitor Salgado/Valor

Arlindo Moura, CEO da Terra Santa: 2016 foi "o ano da virada" para a empresa

O ano passado foi pródigo em desafios para a Terra Santa Agro (ex-Vanguarda), uma das maiores empresas dedicadas à produção de soja, milho e algodão do país. Mas, em meio a reestruturações nos fronts operacional e financeiro e às dificuldades provocadas pelas adversidades climáticas que prejudicaram a produção brasileira de grãos em geral na safra 2016/17, a companhia tem mais motivos para olhar a metade cheia do copo do que a vazia.

Conforme informações enviadas pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no quarto trimestre seu resultado líquido ainda foi negativo (R$ 17,3 milhões), mas bem menos indigesto que o prejuízo registrado no mesmo período de 2015 (R$ 73,9 milhões). Com isso, em todo o ano passado houve perda de R$ 148,1 milhões, 8,3% menor que a de 2015. Por conta das dificuldades no campo da produção, o Ebitda ajustado da Terra Santa foi negativo em R$ 4,9 milhões no quarto trimestre e recuou 72,6% no acumulado do ano, para R$ 22,1 milhões.

A receita líquida da companhia reagiu no quarto trimestre de 2016 e atingiu R$ 149,4 milhões, 16,5% mais que entre outubro e dezembro de 2015, mas em todo o ano passado houve retração de 9,5%, para R$ 842,3 milhões, também em decorrência do impacto das intempéries nas lavouras da empresa.

"A forte seca causada pelo evento climático El Niño em Mato Grosso e na região do "Matopiba" [confluência entre os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia] e o excesso de chuvas no Centro-Oeste na época da colheita da 1ª safra [ do ciclo 2015/16], bem como o encerramento prematuro das chuvas nas culturas de 2ª safra, causaram perdas expressivas para as empresas produtoras de grãos e fibras", diz comunicado da companhia.

Para Arlindo Moura, CEO da Terra Santa, 2016 foi "o ano da virada" para a empresa. Mesmo em meio às dificuldades, afirmou, os ajustes operacionais em busca de produtividades melhores foram aprofundados e o endividamento bruto, ainda elevado (R$ 751 milhões), foi repactuado. Com isso, realçou, aumenta o fôlego da companhia para que a melhora do cenário agrícola nesta safra 2016/17 possa ser aproveitado.

Com cerca de 90% da colheita de soja desta safra 2016/17 já concluída em suas lavouras próprias e arrendadas – são nove unidades de produção no total -, por exemplo, a produtividade média da soja foi de 61 sacas de 60 quilos por hectare, ante pouco mais de 50 na temporada 2015/16. E, de acordo com Arlindo Moura, as perspectivas são positivas também para milho e algodão, plantados, segundo ele, durante "janelas" climáticas bastante favoráveis. Assim, se tudo der certo, 2017 poderá ser lembrado como o "ano do equilíbrio" da Terra Santa. Expansão, só a partir de 2018. Se tudo der certo.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor