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Prefeito de Montenegro é cassado pelos vereadores

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Irregularidades em ciclovia motivaram o pedido de impeachment

Fernanda Nascimento

CMVM/DIVULGAÇÃO/JC

Legislativo determinou a cassação de Azeredo por oito votos a dois

Legislativo determinou a cassação de Azeredo por oito votos a dois

O prefeito de Montenegro, Paulo Azeredo (PDT), teve o mandato cassado, ontem, pela Câmara Municipal. O impeachment do pedetista foi aprovado por oito dos 10 vereadores do município – inclusive dois integrantes do PDT. Azeredo é acusado de ter construído uma ciclovia de forma irregular em uma das principais avenidas da cidade. O vice-prefeito, Américo Alves Aldana (suspenso do P-Sol), foi empossado como novo gestor da cidade. Azeredo deve recorrer da decisão no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
A condenação aconteceu por quatro irregularidades referentes à construção da ciclovia: ausência de parecer do Conselho Municipal de Trânsito; ausência de projeto prévio e técnico responsável pela obra; descumprimento do Plano Diretor e aquisição de bens com dispensa indevida de licitação. De acordo com o presidente da Câmara Municipal, Márcio Müller (PTB), havia um clamor popular para "dar um basta à má administração dos recursos públicos na cidade".
Além dos apontamentos referentes à ciclovia da cidade, o pedetista é acusado de outras irregularidades. Ao longo de três anos, este é o terceiro pedido de impeachment protocolado na Câmara Municipal ? que também já realizou duas comissões parlamentares de inquérito (CPI) para investigar denúncias. No relatório que embasou a cassação do mandato, são listados problemas como a revogação da exoneração de funcionário condenado em sindicância, a contratação emergencial irregular de empresa para a coleta de lixo, o cancelamento indevido de sistema de videomonitoramento, a perda de recursos federais por inoperância e a venda da folha de pagamento do município de forma imprópria.
Antes de se tornar prefeito do município, Azeredo foi deputado estadual por cinco legislaturas. No último mandato, ficou conhecido pela denúncia de que funcionários com função gratificada (FGs) cumpriam apenas metade do expediente previsto em seu gabinete. O pedetista foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações. O presidente estadual do PDT, Pompeo de Mattos, foi o correligionário mais enfático em sua defesa. "Declaro minha indignação com a injustiça que o Legislativo de Montenegro cometeu ao cassar o prefeito Paulo Azeredo", escreveu em uma rede social.
O presidente da Câmara Municipal acredita que, mesmo pertencendo à mesma gestão, o vice-prefeito que assume tem "tudo para fazer uma administração muito boa, se quiser". "Não há receio de continuidade, ele se mostrar mais democrático e aceitar as ponderações das pessoas", disse Müller.

Fonte: Jornal do Comércio