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Prédio do Mappin é arrematado por R$ 81,7 milhões

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Paulo Giandalia / Folhapress

A parte do Mappin foi comprada pela Gazit, que já tinha 70% do prédio

Parte do edifício onde funcionava uma das unidades mais famosas da rede de departamentos Mappin – a maior do país nos anos 90 – foi arrematada ontem por R$ 81,7 milhões. Esse era o último e mais valioso bem disponível da massa falida. Com a venda, o processo de falência, que já dura quase duas décadas, encaminha-se para o encerramento.

De acordo com o síndico da massa falida, o advogado Nelson Carmona, esse valor será suficiente para liquidar as dívidas trabalhistas e pagar os débitos fiscais.

A oferta, no leilão de ontem, era sobre um quinhão de 30% do famoso edifício que fica na Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo. Essa era a porcentagem do imóvel ainda detida pelo Mappin.

Foi arrematada pela Gazit Brasil, que já era a proprietária dos outros 70% do prédio. Essa parte maior havia sido adquirida pela empresa, principalmente de fundos de pensão que compraram frações do imóvel na época de sua construção. Era uma das estratégias do grupo Mappin para obter recursos para a obra.

A Gazit Brasil, por já ter parte do imóvel, tinha a preferência para a compra dos 30% do Mappin. Bastava cobrir a oferta mais alta com o valor simbólico de R$ 0,10. E foi o que ocorreu após lances oferecidos por um investidor de Minas Gerais.

O leilão eletrônico havia sido aberto em março. Começou com lance mínimo de R$ 135 milhões, o valor de avaliação, mas como não teve oferta, baixou, poucos dias depois, para R$ 81 milhões – 60% do valor original. O encerramento se deu de forma presencial no começo da tarde de ontem.

Com a venda concluída, afirma Carmona, o próximo passo será encerrar a falência. O advogado diz que essa era a última pendência do processo. A demora teria se dado em função da regularização do imóvel, devido ao fatiamento. "Foram quase dez anos", diz o síndico da massa falida.

Até agora, segundo Carmona, foram pagos 80% dos credores trabalhistas, que representam cerca de R$ 50 milhões, e créditos extraconcursais – que não pertenciam à massa falida, como dívidas previdenciárias, em que valores haviam sido descontados da folha de pagamento dos trabalhadores, mas não repassados à Previdência.

Além da quantia arrecadada com a venda dos 30% do prédio da Juscelino Kubitscheck, há outros cerca de R$ 100 milhões que já estão no caixa da massa falida (originados da venda de outros bens do Mappin). Nelson Carmona reconhece, no entanto, que mesmo somados os valores ainda será praticamente impossível que todos os credores sejam pagos.

Isso porque ainda faltam ser quitados R$ 314 milhões. Desse total, R$ 30 milhões são devidos aos 20% dos trabalhistas que ainda não receberam. Eles têm prioridade sobre os demais credores. Outros R$ 47 milhões são devidos ao Fisco. E, por fim, a quantia mais alta, de R$ 251 milhões, é devida aos quirografários, a classe em que se incluem os fornecedores.

Por Joice Bacelo | De São Paulo

Fonte : Valor