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Potencial do mercado doméstico anima as empresas de orgânicos

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Daniel Wainstein/Valor / Daniel Wainstein/Valor
Claudia Bringel, da Emporium Vida: "Mais que dobramos a capacidade de produção para ir além de São Paulo e Rio"

O mercado de orgânicos no Brasil continua pequeno, com problemas de estruturação da cadeia e pouca profissionalização, além de preços ainda considerados altos. Mas a demanda do mercado interno – sobretudo seu potencial – continua a encorajar a produção no país, que culminou com a movimentação de quase R$ 1,5 bilhão em 2012, sendo um terço desse valor atribuído a vendas ao exterior.

Indicadores da aposta no segmento – mesmo em tempos de exportações retraídas por conta da crise europeia – são a sofisticação do portfólio de produtos, que avançou para além das matérias-primas e ganhou valor agregado, e o aumento do número de empresas que passou a centrar o foco no mercado de alimentos saudáveis.

Uma das maiores do ramo, com faturamento de quase R$ 100 milhões em 2012, a Jasmine pretende incluir até setembro dez novos itens à sua carteira de orgânicos, hoje composta por 33. Os lançamentos contemplam uma linha de alimentos infantis e outra de funcionais, como farinha de chia e amaranto. Há quase um ano, a empresa se lançou no crescente mercado de leites vegetais – à base de aveia, de arroz e de aveia com amêndoas, recomendados a quem tem alergia alimentar.

"O mercado de orgânicos sempre tem crescimento devido à base pequena de comparação. O Brasil ainda é [um mercado] subdesenvolvido nesse sentido", diz Damian Allain, diretor de mercado da Jasmine.

Segundo o executivo, a recente expansão da demanda brasileira por orgânicos, resultante do aumento do poder aquisitivo da população nos últimos anos, alavancou as vendas a ponto de elas se tornarem de fato um negócio. "Até pouco tempo atrás, o setor era mais um investimento que um negócio para a companhia. Hoje ele já representa 20% do nosso faturamento". Com 23 anos, a Jasmine tem como alvo o mercado interno. Suas exportações, inferiores a 5% do faturamento, limitam-se aos países da América do Sul.

Outros nomes clássicos no ramo, como o Takaoka, também expandem a oferta com novas variedades de verduras e legumes. Conhecida por seu frango sem antibiótico, orgânico e criado livremente, a Korin entrou nos segmentos orgânicos de massa e de funghi desidratado, que se somam a café, mel, ovos e hortaliças. A empresa de origem japonesa, ligada à Igreja Messiânica, está iniciando também um sistema de franquias para expandir as vendas além do grande varejo.

"A expectativa é que até o ano que vem a produção orgânica no Brasil possa atingir faturamento de R$ 2 bilhões. Essa é uma tendência que já havíamos identificado na medida em que o processo regulatório se consolida. Nos mercados dos EUA, da Ásia e da Europa houve esse processo, e com a globalização, chegou ao Brasil", diz Ming Liu, coordenador executivo de projetos do IPD Orgânicos,.

Mas não são só os mais experientes que ampliam negócios. A aparição de novatas no ramo chama a atenção, por já chegarem com produtos mais elaborados. É o caso da brasiliense Mama Gê, estreante na Biofach América Latina, maior feira de orgânicos do país, encerrada domingo em São Paulo.

Com apenas um ano de mercado, a empresa apresentou uma linha sofisticada de atomatados, nas versões pura, com manjericão e berinjela, molho de tangerina e farofa de maracujá orgânicos. "Passamos quatro anos vendendo tomates in natura. Hoje temos 12 produtos. E vamos lançar a farinha de berinjela", diz a diretora comercial Rita de Cássia Sálvio.

A panificadora mineira Emporium Vida, focada em produtos orgânicos, integrais e veganos, construiu em 2012 uma nova fábrica em São Lourenço de olho nos mercado gourmet. "Mais que dobramos a capacidade de produção para ir além de São Paulo e Rio. E quando finalmente a fábrica ficou pronta percebemos que já estava pequena", diz Claudia Bringel, sócia da empresa.

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo