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Possível abertura dos EUA à carne bovina brasileira eleva ações de frigoríficos

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A sinalização da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, de que a aguardada abertura do mercado dos EUA à carne bovina in natura brasileira pode sair em agosto impulsionou as ações dos frigoríficos brasileiros Marfrig e Minerva.

Ontem, os papéis da Marfrig negociados na BM&FBovespa fecharam com alta de 9,97% – a terceira maior valorização do Ibovespa – para R$ 4,74. Por sua vez, as ações da Minerva subiram 7,38%, para R$ 9,60. O Ibovespa subiu 1,22%.

Líder global na produção de carnes e maior frigorífico de carne bovina do país, a JBS fechou com leve alta, de apenas 0,38%. Isso ocorre porque, apesar de beneficiar o negócio de bovinos da JBS no Brasil, a abertura do mercado americano pode ter efeito negativo para a empresa nos EUA. Ao lado das americanas Tyson Foods e Cargill, a JBS é uma das maiores produtoras de carne bovina dos EUA.

Anunciado em 2013, o entendimento entre brasileiros e americanos em torno da abertura recíproca dos dois países para a carne bovina in natura já passou por um processo de consulta pública conduzido pelo Departamento da Agricultura dos EUA (USDA), mas vem se arrastando em meio à pressão de produtores e políticos americanos ligados ao setor. Mas, na última segunda-feira, a ministra Kátia Abreu disse, em entrevista à agência "Bloomberg", que os frigoríficos brasileiros estarão aptos a exportar aos EUA até agosto.

Para o BTG Pactual, a Minerva deve ser a empresa mais favorecida pela abertura do mercado americano entre os frigoríficos brasileiros. "Ajudaria a companhia a ampliar o tamanho do negócio de exportação e a melhorar a rentabilidade", avaliou o banco, em relatório. Para os analistas da instituição, a Minerva também é a que tem a maior fatia de sua produção no Brasil na comparação com os concorrentes Marfrig e JBS. Além disso, tem foco nas exportações, que representam cerca de 70% de seu faturamento.

A Marfrig, terceira colocada no ranking dos maiores exportadores de carne bovina do país, também deve ser beneficiada pela abertura dos EUA, avalia o BTG. No entanto, os analistas do banco dizem estar "reticentes" quanto ao efetivo impacto, dado que as exportações representam uma fatia menor da receita e a companhia ainda convive com um elevado índice de alavancagem.

No caso da JBS, maior exportadora do país, os impactos tendem a ser mistos. Se suas operações no Brasil são beneficiadas a partir da divisão JBS Mercosul, os negócios nos EUA seriam afetados negativamente pela abertura dos EUA à carne brasileira, segundo o BTG.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo