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Por uma cultura de irrigação

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O lema em Israel é: “produzir mais com menos”. As terras escassas e desérticas daquele país do Oriente Médio foram propulsoras de soluções tecnológicas que o tornaram pioneiro em reciclagem de águas, irrigação e biotecnologia agrícola. Aqui no Rio Grande do Sul, historicamente acostumados às benesses do clima e do solo abundante, fomos plantando e colhendo ao sabor do tempo e do vento. Nas últimas décadas, mesmo que mantendo um regime hidrológico estável, deparamo-nos inevitavelmente com episódios de estiagens que resultam em irreparáveis danos diretos ao agricultor e indiretos à economia e às finanças do Estado.
A reversão deste quadro nos remete à necessidade de criar em solo gaúcho uma “cultura de irrigação”. Na essência, não podemos mais louvar e pregar a irrigação apenas durante a secura das estiagens. Precisamos impregnar e perenizar a compreensão de que a irrigação é um insumo para a produção segura e para a rentabilidade estável.  A criação dessa cultura passa por convencimento técnico e econômico dos produtores e de suas organizações e pelo aprimoramento e capacitação dos profissionais diretamente envolvidos com a produção agrícola.
A missão do governo do Estado a Israel, realizada no primeiro trimestre de 2013, abriu possibilidades para avançarmos nesta direção. Lá, ampliamos as relações já existentes e abrimos possibilidade concreta para a formatação de cursos de especialização na área de irrigação, assim como solidificamos a ideia de formar uma escola de irrigação no RS.  Essas iniciativas somam-se a outros esforços, como o Programa Mais Água Mais Renda, esforço concreto do governo estadual para tornar a irrigação mais acessível e barata. Ademais, poderemos ainda gerar mais dinamismo econômico com o fortalecimento de indústrias locais fabricantes de equipamentos de irrigação, ou quiçá atrair algum líder mundial, especialmente em irrigação por gotejamento, tratativa, aliás, já iniciada na missão para o Oriente Médio.
Diretor do BRDE e coordenador do setor agroindustrial/RS

Fonte: Jornal do Comércio | José Hermeto Hoffmann