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POLÍTICA – Trabalhadores rurais, fiscais federais e portuários vão aderir à greve geral

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Contra reformas da previdência e trabalhista, paralisação nacional está marcada para esta sexta-feira (28)

agricultura-familiar (Foto: MDA/Divulgação)

Reformas trabalhistas e da previdência vão atingir em cheio trabalhadores rurais, diz Confederação. (Foto: MDA/Divulgação)

A greve geral de trabalhadores marcada para esta sexta-feira (28/4) deve afetar os negócios no campo e também terminais de embarques de produtos, além da fiscalização federal agropecuária, conforme apuração de Globo Rural com entidades de classe. A manifestação é contra as reformas da previdência e trabalhista propostas pelo governo de Michel Temer e em tramitação no Congresso Nacional.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entidade que reúne federações de trabalhadores rurais de todos os Estados brasileiros e mais de 4.000 sindicatos de trabalhadores rurais em todo o país orientou seus filiados a aderirem ao movimento. Ainda que não tenha uma agenda de ações específicas, a Contag orientou as federações a estimularem os trabalhadores rurais para que participem dos atos previstos nas cidades e nos Estados.    

“A paralisação é extremamente importante, muito maior do que imaginávamos. As reformas atingem o coração, o cérebro e a espinha dorsal da agricultura familiar e dos trabalhadores rurais”, diz o presidente da confederação, Alberto Ercílio Broch.

Para o representante, o momento é de luta contra o desmonte de direitos históricos dos trabalhadores e de conquistas sociais importantes. Segundo Broch, a reforma da Previdência vai atingir em torno de 80% dos trabalhadores rurais brasileiros, que terão dificuldade de permanecer na aposentadoria. Já a reforma trabalhista, cujo texto foi aprovado na noite da quarta-feira (26/4) pela Câmara dos Deputados, é tida como extremamente equivocada.

Um dos pontos mais críticos é a extinção da contribuição sindical obrigatória, que enfraquece os sindicatos. “Estão propondo que o negociado vale mais que o legislado. Pra isso precisamos ter sindicatos fortes para fazer a negociação. No momento em que estingue a contribuição você enfraquece os sindicatos. Não tem como fazer uma boa negociação para o trabalhador”, diz o dirigente.

Fiscais

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) emitiu uma condição geral de adesão à greve para as delegacias sindicais estaduais associadas, sendo que cada delegado irá definir como será a paralisação (total ou parcial). Maurício Porto, presidente da Anffa, anunciou que estará na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, à partir das 9 horas desta sexta para apoiar as manifestações. “O sindicato é a representação do trabalhador e do servidor público. Devemos defender os direitos deles e protestar contra esse desrespeito que são as reformas”, disse.

Portos

O Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport) promoveram na última segunda-feira (24) assembleia conjunta com suas categorias. Os trabalhadores aprovaram a participação no movimento grevista, sendo que avulsos e vinculados não vão entrar para o serviço no Porto de Santos, seja no escritório da Codesp ou no cais, a partir das 7 horas de sexta-feira.

“Não podemos ficar calados diante dos atropelos do Governo Temer que só tem um objetivo: acabar com os direitos dos trabalhadores. Não podemos concordar com as aprovações do Congresso, das reformas, Trabalhista e da Previdência e nova lei que libera todo tipo de terceirização, inclusive nas atividades fins da empresa”, esclareceu o presidente do Sindaport, Everandy Cirino.

No caso específico dos trabalhadores da Codesp, o dirigente explicou que “certamente logo os reflexos desse“pacote de maldades do Governo Temer atingirá os empregados das Companhias Docas, principalmente, por causa da possibilidade de terceirização das atividades fins”. Por conta das mudanças nas leis trabalhistas, o acordo coletivo de trabalho dos portuários da Codesp poderá ser atingido já no próximo mês de junho, pois dependendo das aprovações do Congresso Nacional a redução de conquistas históricas não está descartada, disse.

Diante das várias discussões em andamento em Brasília e dos prejuízos que podem ocorrer para a classe laboral, é importante que os portuários estejam unidos. Os trabalhadores portuários não concordam com as reformas da previdência e trabalhista e muito menos com a terceirização. “Estamos no meio de uma luta de classes. É a classe trabalhadora sendo oprimida pelo poder econômico e político do atual Governo Temer. Não vamos deixar que isso aconteça. Em meio a tantas denúncias de corrupção, desonestidade e assalto aos cofres públicos quem mais uma vez vai pagar o pato será o trabalhador. Não, isso não vai acontecer”, afirmou Everandy Cirino.

POR REDAÇÃO GLOBO RURAL, COM AGÊNCIAS

Fonte : Globo Rural