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POLÍTICA E NEGÓCIOS – Brasil ainda colhe agenda da melancolia, diz Abag

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Dirigentes da entidade avaliam que Brasil ainda sofre consequência de antigas práticas políticas

caio-carvalho-abag-20116 (Foto: Rodrigo Trevisan/Ed. Globo)

Caio Carvalho, presidente da Abag: "desde 2014, o agro está esperando algo acontecer." (Foto: Rodrigo Trevisan/Ed. Globo)

Em agosto de 2016, antes mesmo da conclusão do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e com Michel Temer ainda interinamente no poder, dirigentes da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) diziam ver sinais de um novo país. Passado quase um ano da mudança, o Brasil ainda colhe a “agenda da melancolia”, disseram dirigentes da mesma associação, nesta segunda-feira (7/8).

“Desde 2014, a gente está esperando algo acontecer. O que aconteceu neste último ano foi importante, mas não deixa de ser a agenda da melancolia”, disse o diretor da Abag, Christian Lohbauer, durante entrevista coletiva de dirigentes da entidade, no Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo (SP).

Em meio a uma situação política que avalia como complexa, o presidente da Associação, Luiz Carlos Corrêa Carvalho reconheceu que o país ainda está sofrendo as consequências de antigas práticas. Disse, porém, acreditar que o novo país está sendo plantado, mencionando como exemplo a agenda das reformas, que considera necessárias.

Apenas não soube precisar se a colheita dessa mudança será como a de uma safra de soja, no curto prazo, ou de eucalipto, em prazo mais longo. “Vamos colhendo os grãos e, quando for o momento, vamos colher o eucalipto. E vamos continuar assim”, disse Carvalho.

Lohbauer foi mais cauteloso: nem soja, nem eucalipto. “A safra de seringueira vai ser boa”, afirmou. “A gente só vai ver algo acontecer a partir de outubro de 2018”, acrescentou

Alternativa

Falando sobre o cenário eleitoral, os diretores da Associação Brasileira do Agronegócio defendem que o setor deve se mobilizar e criar uma alternativa política. Destacaram, no entanto, o calendário curto de aprovação da chamada reforma política a tempo das novas regras valerem já nas eleições presidenciais de 2018.

Também diretor da Abag, Ingo Ploger, defendeu a adoção de mecanismos como o voto distrital e a chamada cláusula de barreiras, que limita a formação de novos partidos. Reconheceu, no entanto, que a mudança no sistema de votação é mais difícil de ser aprovado.

“É a reação do velho e a busca do novo. Mas estamos fazendo aqui a nossa parte de colocar o Brasil dentro de uma perspectiva de longo prazo”, disse Ploger. “Pensar o Brasil sem o agronegócio é impossível e temos que trazer essa visão de Brasil para o Congresso”, acrescentou.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho reforçou a necessidade de mobilização do setor privado no “compromisso com a mudança”. “A gente tem que gerar a alternativa e não ficar esperando que ela apareça”, disse o presidente da Abag.

Carvalho se disse ainda “esperançoso” de que surja algo novo para as próximas eleições. Diante do quadro atual, não escondeu sua simpatia pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a quem chamou de “esperança de dias melhores” durante a abertura do Congresso.

“Mas daqui até lá, muita coisa pode acontecer”, disse ele, quando perguntado sobre a afirmação logo após a coletiva de imprensa.

Tempo real

Acompanhe em tempo real a cobertura do 16º Congresso Brasileiro do Agronegócio, direto de São Paulo, pela conta da Globo Rural no Twitter, com as falas dos principais palestrantes convidados pelo evento.

POR RAPHAEL SALOMÃO

Fonte : Globo Rural