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PNCF e o desenvolvimento rural em Rondônia

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Um dos primeiros moradores da região de Nova Brasilândia a buscar o crédito fundiário, Marcelo de Souza, comemora os frutos do seu trabalho, a terra própria e o sustento da família

O café, uma das paixões do povo brasileiro, tem mudado a realidade da vida de centenas de trabalhadores rurais no estado de Rondônia. Os resultados são frutos das terras adquiridas com o Programa Nacional de Crédito Fundiário, da Secretaria Especial de Agricultura Familiar (Sead). Com os efeitos positivos, o estado já é visto como uma das referências na execução do programa.

A subsecretária de Reordenamento Agrário da Sead, Raquel Santori, afirma que a partir de 2009 foi possível o acesso à linha de combate à pobreza no estado de Rondônia. Segundo a Secretaria Estadual de Agricultura de Rondônia já são mais de 600 famílias beneficiarias do crédito no estado. A taxa de inadimplência é de apenas 4,2%. A produção das propriedades atendidas tem animado outros agricultores e já há cerca de 1000 famílias com propostas de financiamento em tramitação.

Muitos agricultores estão apostando no cultivo de café. A produção do grão é de encher os olhos e o bolso. Marcelo de Souza, de 43 anos, foi um dos primeiros moradores da região de Nova Brasilândia a buscar o crédito. Os frutos vindos da terra têm garantido o alimento na mesa da família e sustentado a mulher e os dois filhos.

Marcelo trabalhou durante oito anos em fazenda, como meeiro, no qual tinha que dividir a renda da produção com o dono da propriedade. Ele afirma que nada se compara a trabalhar na própria terra. "Eu tinha vontade de ter minha roça, de plantar meu café. Quando eu trabalhava nas outras propriedades era muito difícil. Às vezes eu pedia um aumento de salário, mas eles falavam que eu já morava de graça, que eu não pagava aluguel. Eu tinha até vergonha de pedir o aumento", lembra o agricultor.

Marcelo estima colher 50 sacas este ano e 200 em 2018. O dinheiro da venda do café deste ano já vai garantir as primeiras parcelas do pagamento do financiamento. O produtor comemora poder contar com o dinheiro fruto do seu trabalho, pois antes, trabalhando para os outros, era difícil fazer grandes planos com a renda vinda da produção na fazenda. “Era metade para o patrão e metade para a gente e eu ainda tinha que arcar com as despesas da produção e o meu trabalho. Quando chegava no final da colheita, eu tinha que pagar as contas e não sobrava nada”, afirma.

O agricultor recorda do início, com um sorriso no rosto, quando as pessoas não acreditavam no sucesso dele com o crédito. "Eles achavam que eu não ia para frente de jeito nenhum, mas eu dizia ia sim. E hoje estão tudo correndo atrás”.

Não só Marcelo foi para frente, como centenas de produtores do estado, que viram suas vidas mudarem com a ajuda do crédito fundiário. São homens, mulheres e jovens apostando na produção, não só de café, mas também de leite, frutas, hortaliças. São pessoas que viram na terra própria a oportunidade de mudar de vida. Trabalhadores que passaram de empregado a empreendedor, pessoas que largaram a correria e os baixos salários da cidade para tirar o sustento da terra.

A força de vontade dos agricultores tem encaminhado o estado para ser uma referência na execução do credito. “A gente percebeu que, nos últimos dois anos, o trabalho que o estado de Rondônia está fazendo tem sido muito importante e efetivo. A gente já está conseguindo colher alguns frutos e alguns resultados de forma mais qualitativa”, explica Raquel Santori, ressaltando também que o bom andamento dos projetos tem atraído fortemente os jovens para o empreendedorismo no campo, acompanhado de sua família.

Para a boa execução do programa na região, a Sead conta com o trabalho do governo estadual, que tem acompanhado de perto o desenvolvimento das produções. "Nós estamos vendo o pessoal que entrou no crédito muito feliz, com a autoestima elevada. Apareceu para eles uma oportunidade de melhorar seu futuro, melhorar a vida da sua família. Dá uma condição mais digna de trabalho", afirma o secretário de Agricultura de Rondônia, Evandro Cesar Padovani.

Marcos Rodrigo da Silva, coordenador da Unidade Técnica da Secretaria de Agricultura do estado, responsável pela execução do credito fundiário na instituição, conta que o departamento acompanha as famílias desde a intenção de fazer o financiamento até os resultados da produção. Ele afirma que o estado tem acreditado no crédito e não mede esforços para a boa aplicação da política, junto com a Sead. "O estado visa consolidar essa política pública do governo federal e pretendemos desenvolver isso com outras ferramentas. Queremos criar ações que viabilizem a permanência dessas famílias no campo com rentabilidade e qualidade de vida, para que elas atendam as expectativas que tinham quando fizeram esse financiamento", garante o coordenador.

PNCF

O Programa Nacional de Crédito Fundiário, promovido pela Sead, por meio da Subsecretaria de Reordenamento Agrário (SRA) oferece condições para que os trabalhadores rurais sem terra ou com pouca terra possam financiar um imóvel rural.

O programa trabalha em três linhas. São elas: o Combate à Pobreza, para regiões e trabalhadores com renda mais baixa; a Consolidação da Agricultura Familiar, voltada para o combate à pobreza rural, a sucessão e consolidação da agricultura familiar; e a Primeira Terra, voltada para os jovens.

Os recursos do crédito podem ser acessados por qualquer agricultor familiar que preencha os requisitos do programa, como não ser servidor público, não ter sido beneficiado por outro programa da Reforma Agrária, entre outros. Os beneficiários do PNCF também podem ter acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

Juliana Andrade
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Assessoria de Comunicação

Paulo H. Carvalho/Ascom

Fonte : MDA