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Plantio Direto na Palha é incentivado pelo Programa ABC

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Fonte: Globo Rural

Técnica é uma boa alternativa para reduzir gases gerados pelas atividades agropecuárias

por Globo Rural On-line

Ernesto de Souza

O Sistema de Plantio Direto na Palha evita que o solo seja levado pelas erosões e permite maior concentraçã de nutrientes, fertilizantes e corretivos

Uma das iniciativas incentivadas pelo Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é Sistema de Plantio Direto na Palha (SPDP).

A técnica, considerada uma ferramenta da agricultura conservacionista, consiste na semeadura feita diretamente na palhada da cultura anterior, ou seja, sem ser necessário revolver as camadas do solo com arados e grades. O revolvimento do solo ocorre apenas na cova ou sulco de semeadura ou plantio. Nesse sentido, é fundamental o uso de modelos de produção diversificados com rotação, consorciação ou sucessão de culturas, além de plantas de cobertura com adequada produção de palhada.

O SPDP contribui para que o solo não seja levado pelas erosões e armazene mais nutrientes, fertilizantes e corretivos. A quantidade de matéria orgânica triplica, de uma concentração de pouco mais de 1% para acima de 3%. Nas condições do Cerrado, com temperaturas elevadas e radiação solar intensa, manter a palha na superfície do solo é um desafio para os produtores, por conta da alta taxa de decomposição dos restos vegetais. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Arminda Moreira, como nessa região a estação seca é prolongada, torna-se necessária a utilização de cultivares precoces, para que se possa realizar uma safra seguida de safrinha em condições de sequeiro. O procedimento, além de aumentar a rentabilidade, permite que a cobertura vegetal possa ser mantida por mais tempo, reduzindo processos de erosão eólica e hídrica e, assim, favorecendo a superfície do solo.

Em algumas propriedades que já adotaram o SPDP, como a Fazenda Santa Helena, localizada em Santa Helena, interior de Goiás, a produtividade das lavouras de grãos consorciados com braquiária triplicou em duas safras. Ricardo Merola, proprietário da fazenda, é atualmente um dos maiores fornecedores de gado do Brasil, e consegue, através da consorciação de braquiária, grãos e gado, produzir 35 mil cabeças/ano, inclusive no auge da seca no Cerrado. O sistema Santa Fé, como foi denominado, foi desenvolvido na propriedade de Merola pela Embrapa, nos anos 1980.

Atualmente, a unidade da Embrapa Cerrados tem tentado identificar espécies vegetais capazes de sobreviver ao período seco, manter o solo coberto e ainda favorecer a ciclagem de nutrientes. Segundo a pesquisadora, tem se destacado o cultivo de braquiárias, utilizadas com maior frequência em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), e o feijão-bravo-do-ceará, leguminosa com potencial de uso em sistemas agrícolas.

O Programa Agricultura de Baixo Carbono foi criado em 2010 pelo Governo Federal e concede benefícios e créditos para os agricultores que querem adotar técnicas agrícolas sustentáveis. A taxa de juros do Programa é a menor fixada para o crédito rural destinado à agricultura empresarial – 5,5% ao ano. O prazo de pagamento pode chegar a 15 anos.