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Plantio de soja está proibido no Paraná

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SEM EXCEÇÃO

Proibição faz parte do vazio sanitário, medida adotada no Brasil e no Paraguai para impedir a proliferação da ferrugem asiática

André Rodrigues/Gazeta do Povo
O vazio sanitário soja é uma das principais estratégias para o controle da ferrugem-asiática , a pior doença que ataca a soja. | André Rodrigues/Gazeta do Povo

O vazio sanitário soja é uma das principais estratégias para o controle da ferrugem-asiática , a pior doença que ataca a soja.

Começa nesta quinta-feira (15) o vazio sanitário da soja no Paraná e em mais quatro estados brasileiros: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia. Com isso, está proibido plantar ou manter vivos pés de soja nestas regiões até o dia 15 de setembro.

No Brasil, 11 estados e o Distrito Federal adotam essa medida, estabelecida por meio de normativas estaduais e com diferentes calendários, conforme as épocas de semeadura. O Paraguai também estabeleceu o período de vazio sanitário.

De acordo com a pesquisadora Claudine Seixas, da Embrapa Soja, o objetivo do vazio sanitário é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença. “O vazio sanitário soja é uma das principais estratégias para o manejo da ferrugem-asiática , que é a mais severa doença da cultura da soja”, diz Claudine.

A pesquisadora explica que o fungo que causa a ferrugem-asiática é biotrófico, ou seja, precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar. “Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra ‘quebramos’ o ciclo do fungo, reduzindo assim a quantidade de esporos presentes no ambiente”, diz Claudine.

Ferrugem da soja

A ferrugem asiática da soja foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001, sendo que, hoje, possui um custo médio de US$ 2 bilhões por safra. Apesar da contribuição dos fungicidas, uma redução da eficiência desses produtos vem sendo observada desde a safra 2007/08 em função da adaptação do fungo.

Segundo os pesquisadores da Embrapa, os fungicidas utilizados no controle da ferrugem pertencem a três grupos distintos: os Inibidores de desmetilação (IDM, “triazóis”), os Inibidores da Quinona externa (IQe, “estrobilurinas”) e os Inibidores da Succinato Desidrogenase (ISDH, “carboxamidas”).

Ao ser identificada no Brasil, em 2001, a ferrugem-asiática foi controlada com a aplicação de fungicidas triazóis isolados e misturas de triazóis e estrobilurinas. Desde 2008, produtos isolados não são recomendados em decorrência da menor eficiência, sendo recomendadas somente misturas comerciais de produtos com diferentes mecanismos de ação.

“A partir da safra 2013/14, uma redução de eficiência foi observada para a estrobilurina isolada nos ensaios cooperativos”, explica a pesquisadora Claudia Godoy. Nessa mesma safra foram registradas as primeiras misturas de fungicidas estrobilurinas e carboxamidas para a cultura da soja.

Na safra 2016/17, a pesquisadora explica que alguns fungicidas com carboxamidas apresentaram redução de eficiência nos ensaios cooperativos, em relação aos resultados da safra anterior, em regiões específicas. “Dessa forma, o rigor na adoção do vazio sanitário é extremamente importante para redução do inóculo entre as safras, auxiliando assim no manejo da ferrugem-asiática”, relata a pesquisadora.

Fonte: Gazeta do Povo

  • 15/06/2017 |
  • 18h03 |
  • Da Redação