Plantio de eucalipto em expansão na Bahia

Novos projetos de geração de energia elétrica a partir da biomassa ajudam a estimular o plantio de eucaliptos na Bahia
Novas demandas para o uso de eucalipto poderão levar a um aumento de 40% na área plantada com essas árvores na Bahia nos próximos três anos, conforme projeção da Abaf, associação que reúne empresas de base florestal que atuam no Estado.

A área baiana com eucaliptos plantados chega a 617 mil hectares, pouco menos de 10% do total nacional (6,66 milhões). Mas, segundo Wilson Andrade, diretor-executivo da entidade, outros 300 mil estão sendo prospectados para atender a projetos da construção civil, de geração de energia a partir de biomassa, de produção de celulose líquida ou papel.

"Estamos em busca de mais projetos para a Bahia e acreditamos que em 2020 teremos mais 1 milhão de hectares plantados no Estado", diz Andrade. Em todo o país, estimativas apontam para uma expansão da ordem de 7 milhões de hectares em cinco anos.

Para fomentar a expansão baiana, o governo estadual oferece redução ou até isenção de ICMS para as empresas interessadas, que também podem contar com a redução de 25% no imposto de renda oferecida pelo governo federal para companhias que se instalam no Nordeste – se o projeto for no semiárido, o desconto é de 50%.

Andrade concorda que os incentivos ajudam, mas destaca que a produtividade é o grande diferencial na Bahia. Enquanto no país a média é de 35 metros cúbicos de eucalipto por hectare ao ano, no Estado chega a 42 – "a melhor média do mundo", de acordo com ele. Na China, conforme dados da Abaf, a produtividade é de 31 metros cúbicos por hectare ao ano, e no Chile a média não passa de 30.

"Temos seis biomas diferentes no Estado, com ilhas de excelência para o eucalipto como no sul, onde a produtividade chega a 60 metros cúbicos por hectare ao ano", diz o diretor da entidade.

Essa produtividade também permitiu que a Bahia começasse a se destacar no comércio internacional de eucalipto e seus produtos. No ano passado, os embarques brasileiros renderam US$ 8 bilhões, 3% mais que em 2013, e o Estado representou US$ 1,8 bilhão. Esse valor foi equivalente a 18% das exportações totais do Estado.

Entre os destinos do eucalipto que têm se destacado no Estado está a cogeração de energia, sobretudo por indústrias de mineração. "Há 25 anos, as empresas do polo petroquímico de Camaçari iniciaram pesquisas em busca de fontes de geração energia mais baratas. Dada a produtividade, o eucalipto foi considerado uma boa opção".

No ano passado, a Dow Chemical, instalada no polo, iniciou um projeto em parceria com a Energias Renováveis do Brasil (ERB) no qual 25% da energia utilizada em sua unidade vem da queima de eucalipto para geração de vapor. Esse vapor gera energia elétrica, cujo excedente é vendido pela ERB para outras indústrias.

Empresas como a Ático Florestal e a Tree Florestal também iniciaram projetos semelhantes e já negociaram antecipadamente energia em leilões do governo. Elas começaram o plantio no ano passado para atender uma usina termelétrica (UTE) da Bolt Energias em São Desidério, e as primeiras árvores deverão ser cortadas em 2018.

De acordo com Marco Tuoto, diretor da Tree, essas plantações estão no Oeste da Bahia, o que criou uma nova fronteira florestal no Estado, e eram necessárias para atender a usina rapidamente, com redução dos custos logísticos. "A região é mais seca que o sul da Bahia, e foram necessários seis meses de pesquisas para encontrarmos materiais genéticos adaptados as condições climáticas da região", diz.

A expectativa da Tree é plantar entre 8 mil e 9 mil hectares ao ano, nos períodos de chuva (de outubro a março). Até janeiro de 2018, quando a usina da Bolt deverá entrar em operação, a meta é alcançar 35 mil hectares plantados, que vão gerar 150 megawatts por ano. Os investimentos necessários para isso são estimados em R$ 250 milhões. "Excedentes de energia poderão eventualmente ser vendidos para indústrias madeireiras ou para a secagem de grãos", afirma Tuoto.

"Para gerar energia, o eucalipto pode ser cortado em três anos e meio ou quatro anos, enquanto para outros usos é preciso esperar até oito anos" explica Andrade.

Além de estar ganhando importância como fonte para a cogeração de eletricidade, o eucalipto também tem seu crescimento na Bahia impulsionado pelo avanço de empresas de celulose no Estado, como Fibria e Suzano. O recém-aprovado eucalipto transgênico da Suzano, por exemplo, poderá ser semeado em regiões baianas mais áridas.

"As restrições de uso de mata nativa pela construção civil e pelo segmento de aço também não param de crescer, como aconteceu com a celulose no passado. Dessa forma, abrem-se novas frentes para a expansão do eucalipto", diz o executivo da Abaf.

A indústria moveleira, boa parte dela instalada na região Sul do país, normalmente utiliza o pinus como matéria-prima, mas, conforme Andrade, está começando a encarar o eucalipto como opção, por causa de sua produtividade.

Fonte: Valor | Por Fernanda Pressinott | De São Paulo