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Plano Safra 2015/16 está praticamente pronto

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Em reunião na quarta-feira com dirigentes de entidades patronais de diversos setores da economia, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou que o volume de crédito rural a juros subsidiados para custeio e comercialização no Plano Safra 2015/16 será "pelo menos mantido" no patamar de R$ 89 bilhões de 2014/15. No total, o montante destinado à agricultura empresarial na próxima temporada poderá crescer 9% em relação ao ciclo que está na reta final, para R$ 170 bilhões.

Os últimos detalhes do novo Plano Safra deverão ser concluídos até a próxima segunda-feira, véspera de seu anúncio oficial pela presidente Dilma. Reunião de ontem do Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu os juros que serão praticados, mas as taxas também só deverão ser divulgadas na terça-feira. Nas negociações entre Levy e a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, ficou praticamente definido que ficarão em torno de 8,75% a 9% ao ano para custeio. Para linhas com menor limite de financiamento, o juro poderá ficar em 7,5%. Em geral, a taxa média deste Plano Safra 2014/15 é de 6,5%.

A equipe econômica do governo vem sendo pressionada por entidades ligadas ao agronegócio para que não seja lançado um Plano Safra que repita as taxas de juros que o Banco do Brasil, líder na liberação de crédito rural no país, vem praticando na concessão de financiamentos para o pré-custeio da safra – de 9% a 10,5%. Esses patamares mais elevados estão sendo impostos devido a um "mix" de recursos que o BB está ofertando formado por depósitos à vista, poupança rural e caixa próprio. Foi a solução encontrada para suprir uma procura estimada em R$ 7 bilhões para o período entre abril e junho deste ano. O vice-presidente de Agronegócios do BB, Osmar Dias, já admitiu que a instituição sofre com insuficiência de recursos a juros controlados em tempos de ajuste fiscal.

Fontes que participam das conversas entre Levy, Kátia e Dilma afirmam que a ministra e a presidente vêm se esforçando para convencer a Fazenda da necessidade de se equalizar as taxas de juros do novo Plano Safra a um nível de, no máximo, 8,5%. O valor médio de 9%, defendido por Levy, não pode ser a tônica, segundo as orientações do Palácio do Planalto.

Técnicos que acompanham os detalhes de fechamento do plano também comentam que o volume de recursos a juros subsidiados para investimentos deverá cair. A ideia é que linhas como Moderinfra (infraestrutura), Inovagro (inovação) e Moderfrota (máquinas), tenham sua dotação reduzida, já que dificilmente os valores inicialmente aventados serão integralmente desembolsados. Uma alternativa seria realocar esses recursos para linhas com maior demanda. O Plano Safra 2015/16 também deverá trazer linhas específicas para as cadeias de leite, produtos florestais e pecuária.

Fonte: Valor | Por Cristiano Zaia | De Brasília