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Plano gaúcho conta com R$ 2,4 bilhões

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Enfrentamento da estiagem comprometeu equalização de juros

 Lideranças de produtores e cooperativas acompanharam anúncio<br /><b>Crédito: </b>  VINÍCIUS Rorato

Lideranças de produtores e cooperativas acompanharam anúncio
Crédito: VINÍCIUS Rorato

Os produtores que lotaram, ontem, o salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini não ouviram tudo que esperavam para o segundo Plano Safra Estadual. A seca impactou na elaboração das medidas. O enfrentamento da estiagem consumiu R$ 166 milhões, tirando do Estado a capacidade de equalizar o juro de programas federais como o Mais Alimentos. Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, a redução do juro cobrado pela União foi decisiva para desistir da ideia de zerar o custo do crédito. Mesmo assim, o Banrisul oferecerá R$ 1,7 bilhão, frente ao R$ 1,1 bilhão anunciado na safra 2011/12. Segundo o diretor de Crédito do Banrisul, Guilherme Cassel, o valor repete o executado no último ciclo. "A previsão era chegar a R$ 1,3 bilhão, mas, efetivamente, financiamos R$ 1,7 bilhão." No total, o Estado terá R$ 2,4 bilhões para a safra, incluindo R$ 280 milhões do Badesul, R$ 250 milhões do BRDE e orçamentos das secretarias. O crédito será disponibilizado em programas estaduais como o Mais Água, Mais Renda, Mais Ovinos e Leite Gaúcho. Os juros anuais variam de 1% a 5,5%, o que demonstra a sintonia com o governo federal, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. O plano contempla 63 medidas frente às 21 de 2011.
A principal cobrança das entidades de agricultores familiares foi em relação a um programa efetivo de armazenagem de água. O governador Tarso Genro disse que o governo trabalha para possibilitar a irrigação de 30% da área de milho no futuro.
O coordenador da Fetraf-Sul, Celso Ludwig, aproveitou a presença da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, para cobrar um programa nacional de cisternas, como o do Nordeste. Também partiu dele a cobrança da distribuição do Cartão Estiagem. Segundo Pavan, o cartão deve chegar ao campo a partir do dia 25. A parcela única, a fundo perdido, será de R$ 400,00 para agricultores e de R$ 500,00 para assentados e quilombolas. Lideranças também cobraram mais ações para melhorar a energia elétrica rural e a assistência técnica. Para o presidente da Fetag, Elton Weber, é preciso, ainda, garantir acesso aos recursos. "Vamos acompanhar produtores que tiveram problemas com a seca para ver se estão conseguindo crédito." Para o diretor da Farsul, Jorge Rodrigues, o ano marcado pela severidade do clima comprova a necessidade de ações unificadas de governos. "Temos volume de chuva, precisamos de estratégias para armazenar." Para o presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, aos poucos, o governo vai atendendo a pleitos e expectativas do setor.

Fonte: Correio do Povo