Plano da Agricultura Familiar tem mais recursos e juro maior

LINHAS DE FINANCIAMENTO para produtores com renda anual de no máximo R$ 360 mil terão taxa de até 5,5%. Alta é similar ao do segmento empresarial

Incluído na agenda positiva da presidente Dilma Rousseff, o Plano Safra da Agricultura Família foi lançado, ontem, com reforço nos recursos e no juro. Na temporada 2015-2016, o programa vai liberar R$ 28,9 bilhões, acréscimo de 20% em relação ao ciclo anterior. A estimativa é de que os gaúchos acessem R$ 7,2 bilhões em financiamentos.
Dentro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o governo oferta R$ 26 bilhões com juro anual entre 0,5% e 5,5% (as condições são diferenciadas para o semiárido), enquanto na temporada passada as taxas foram de 0,5% a 3,5%. Para R$ 2,9 bilhões, de outras fontes, o juro fica entre 7,5% (investimento) e 7,75% (custeio).
– As taxas para todas as linhas de crédito do Pronaf permanecem bem inferiores à inflação – ressaltou Dilma, que anunciou o desejo de apresentar um plano de reforma agrária no próximo mês.
O plano tem em como foco pequenos produtores, com renda bruta anual de até R$ 360 mil, e que utilizam mão de obra familiar. Essa versão do plano teve altas similares às do programa da agricultura empresarial, anunciado há três semanas, também com crédito 20% maior, definido em R$ 187,7 bilhões, com juro entre 7% e 10,5% nas principais linhas.
Apesar do aumento do juro, as condições agradaram entidades como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul). Já o deputado federal Heitor Schuch (PSB- RS), ex-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetag), é uma das vozes dissonantes. Ele avalia que o aumento de 20% nos recursos permite apenas a compra da mesma quantidade de insumos da safra passada, já que houve alta no preço dos produtos utilizados na lavoura.
– Venceu a força do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Algumas linhas tiveram elevação de 50% no juro, uma conta pesada. O pacote da agricultura patronal é mais leve em termos de custos – avaliou o deputado.
guilherme.mazui@gruporbs.com.br

GUILHERME MAZUI | RBS BRASÍLIA

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Fonte: Zero Hora