PIB do agronegócio deverá cair 0,6%, diz CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) divulgaram ontem que, em suas contas, o PIB do agronegócio brasileiro deverá cair 0,6% neste ano em relação a 2014, para R$ 1,17 trilhão. Para a entidade, o resultado pode ser considerado positivo, já que para toda a economia do país é esperada uma retração de 3%. Com isso, a CNA acredita que o resultado do agronegócio elevará sua participação no PIB nacional para 23% em 2015, ante os 21,4% do ano passado.

Conforme CNA e Cepea, a única frente do agronegócio que registrará crescimento do PIB neste ano é o segmento de insumos, que deverá avançar 0,62% em relação a 2014. Em contrapartida, há recuos projetados para produção primária (0,88%), agroindústria (0,38%) e serviços (0,34%). Pesa para o crescimento do PIB dos insumos a valorização do dólar frente ao real, já que grande parte dos defensivos e fertilizantes usados pela agricultura brasileira é importada.

Para o presidente da CNA, João Martins, embora o agronegócio ainda colabore para sustentar a economia brasileira, a situação poderá ficar insustentável diante das turbulências, inclusive políticas. Segundo ele, o produtor rural brasileiro tem consciência de que terá pela frente pelo menos dois ou três anos de margens apertadas de rentabilidade e custos de produção altos. "Ficamos preocupados com esse cenário de desagregação econômica", disse Martins. "Mas tenho certeza de que vamos encontrar os trilhos para achar uma saída política e econômica. Espero que em 2016 comecemos a encontrar um caminho de normalidade", afirmou.

Bruno Luchi, superintendente técnico da CNA, lembrou que o IBGE prevê que o PIB da agropecuária, que avalia apenas a produção "dentro da porteira", deverá aumentar 2,4% neste ano em relação a 2014. "Esperamos que o PIB do agronegócio volte a crescer no ano que vem", pontuou.

A CNA também apresentou suas projeções para o Valor Bruto da Produção (VBP), que deverá crescer 5,7% neste ano em relação a 2014, para R$ 516 bilhões. O VBP da agricultura deverá somar R$ 317 bilhões, 3,6% mais que no ano passado, enquanto o da pecuária deverá aumentar 9,3%, para R$ 199 bilhões. Para a soja, carro-chefe do agronegócio nacional, os parceiros projetam incremento de 16%, para R$ 111,9 bilhões; para a carne bovina, segundo item no ranking da agropecuária brasileira em valor da produção, o avanço estimado é de 17%, para R$ 98,5 bilhões.

Para 2016, a CNA projeta que o VBP da agropecuária como um todo crescerá 2,7%, para R$ 530 bilhões. Para as exportações do agronegócio brasileiro, contudo, a estimativa da entidade é de queda de 8% em 2015, para US$ 89 bilhões.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor