Petrobras põe fábricas de fertilizantes em hibernação à espera de comprador

Leo Pinheiro/Valor

Melhor alternativa para a Petrobras é parar as unidades agora, diz Celestino

A Petrobras planeja vender suas fábricas de fertilizantes localizadas em Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (Fafen-BA), que serão colocadas em hibernação. Segundo o diretor de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino Ramos, a decisão de interromper a produção das duas unidades, anunciada ontem pela companhia, se deve aos sucessivos resultados negativos que elas geram à empresa.

"Elas [fábricas] estão obviamente no programa de desinvestimento. É importante dizer que tomamos essa decisão [de hibernar as unidades] porque, quando você olha para os próximos 12 anos, esses resultados não mostram perspectiva de reversão, ou seja, continuam operando com resultado negativo. Então a melhor alternativa para a Petrobras, nosso dever como administrador público, é parar as plantas agora", disse ontem Celestino, em teleconferência com jornalistas.

Previsto para ter início ainda no primeiro semestre, o processo de hibernação consiste em uma parada progressiva da produção das unidades industriais, com ações para conservar equipamentos e prevenir impactos ambientais.

Segundo o executivo, as Fafens de Sergipe e Bahia são pouco competitivas, por não terem acesso à matéria-prima (gás natural) barata e estarem longe de mercados consumidores de fertilizantes. "O custo da matéria-prima, mais o preço do fertilizante que a Petrobras consegue colocar no mercado, mais os custos de operação da planta levam a um resultado negativo", disse.

De acordo com a Petrobras, a Fafen-SE e a Fafen-BA apresentaram resultados negativos de cerca de R$ 600 milhões e R$ 200 milhões, respectivamente. No resultado do quarto trimestre de 2017, a Petrobras realizou uma provisão para perda (impairment) das duas fábricas no valor de R$ 1,3 bilhão.

Celestino disse que a produção anual das duas plantas juntas, é de cerca de 700 mil toneladas, o equivalente a cerca de 15% da demanda interna do país. Segundo ele, cerca de 85% da demanda brasileira hoje é atendida pelo mercado externo.

Questionado sobre os custos da hibernação das duas unidades para a Petrobras, o diretor informou que a companhia desembolsará cerca de R$ 300 mil por mês. "Hibernar significa deixar os equipamentos prontos para que, em caso de aparecer compradores, elas estejam prontas para operar", explicou Celestino. "O custo para hibernação é bem baixo quando você compara com a manutenção da operação", completou.

Com relação à Araucária Nitrogenados (Ansa), que opera em Araucária (PR), e à Unidade de Fertilizantes-III (UFN-III), cuja planta, em Três Lagoas (MS), está 80,95% concluída, Celestino contou que o processo de venda dos dois ativos está na etapa de oferta vinculante. "Estamos muito perto de achar compradores para Ansa e UFN-3", afirmou.

Por Rodrigo Polito e Marcelle Gutierrez | Do Rio e São Paulo

Fonte : Valor