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PESQUISA E TECNOLOGIA – Secretário de Agricultura de São Paulo contesta reportagem de Globo Rural

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Arnaldo Jardim diz que a maioria das unidades de pesquisa está batendo recordes de performance, com equipamentos e instalações novas

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Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (Foto: Teresa Bastos)

Em resposta à terceira reportagem da série “crise na pesquisa”, publicada na edição impressa de julho e no site da revista Globo Rural na última semana, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, contestou algumas informações contidas na matéria.

Ele reconheceu, no entanto, que algumas unidades de pesquisa do Estado estão desativadas ou em processo de desativação. “A maioria das unidades de pesquisa está batendo recordes de performance, está organizada, com equipamentos e instalações novas e reformadas, almoxarifados repletos, etc”, diz um trecho da carta assinada pelo secretário e enviada à redação nesta sexta-feira (4/8).

Sobre o comprometimento do orçamento da pesquisa paulista, Jardim ressaltou que são três as fontes de recursos, “sem falar no esforço de agregar aos Institutos recursos privados”, destaca.

Confira abaixo a íntegra da carta do secretário Arnaldo Jardim.

“Pelo respeito a uma das mais importantes publicações dedicadas aos assuntos da agropecuária brasileira, não podemos deixar de manifestar nossa surpresa e estranheza com relação à reportagem “Tradicionais Institutos estão à Mingua em São Paulo” da revista Globo Rural edição nº 58 de julho de 2017. Infelizmente, a reportagem retrata ao leitor da revista uma situação parcial e muito diferente da dinâmica vivida pela pesquisa paulista, especificamente na área agropecuária.

Das 42 unidades de Pesquisa, algumas estão desativadas ou em processo de desativação. Foram estas as retratadas pela reportagem que lamentavelmente deixou de mostrar para o leitor da revista que a maioria das unidades de pesquisa está batendo recordes de performance, está organizada, com equipamentos e instalações novas e reformadas, almoxarifados repletos, etc.. Alguns polos de pesquisa podem (e devem) estar à mingua porque, desativados que foram, esperam o processo de alienação. Os Institutos de São Paulo continuam sendo exemplos mundiais, fonte exemplar de conhecimento, pesquisa e informação, inclusive frequentemente utilizada pela própria Globo Rural.

O orçamento da APTA em 2016 passou dos R$ 300 milhões (não R$ 221 milhões como constou da matéria). Os Institutos de Pesquisa recebem recurso de Fonte 1 (Tesouro), Fonte 2 (recursos vinculados para fomento de pesquisa, principalmente oriundos da FAPESP) e recursos da Fonte 3, os Fundos Especiais de Despesa (FEDs). São 3 fontes distintas de recursos do Governo do Estado de São Paulo. Tudo isso sem falar no esforço de agregar aos Institutos recursos privados. A reportagem retratou como orçamento da APTA apenas os movimentos de Fonte 1, deixando de dar ao leitor a informação sobre o real volume de recursos públicos aplicados nos Institutos, que cresceram mais de 25% de 2010 até 2016 e vão crescer ainda mais em 2017.

Além disso, a folha de pagamento não consome 90% do orçamento: distorção consequência do erro material anterior, já que o orçamento dos Institutos é composto de várias fontes de recursos públicos. No IAC, por exemplo, a folha não passa de 50% do orçamento anual.
Esta semana nossos institutos concluíram projetos estratégicos e se qualificaram à chamada pública Fapesp / Governo de São Paulo, que disponibilizará até 120 milhões de reais para este programa.

Ao contrário do que diz a reportagem, os investimentos em pesquisa estão crescendo. Houve aumento de 458% com relação aos fundos de despesa, 45% com relação a investimentos da iniciativa privada e fomento. Em 2016, entre fundos e fomento, apenas em dinheiro público (sem contar os recursos advindos de parcerias com o setor privado), os Institutos receberam investimento de R$ 24 milhões. Vou além e destaco que, ciente da crise que estamos passando, estamos implantando os NITs (Núcleos de Inovação Tecnológica), que são fundamentais para uma nova relação entre pesquisa / sociedade, diminuindo a distância entre conhecimento / produção e criando fontes adicionais de receita.

Os pesquisadores passam a ter oportunidade de serem reconhecidos e receberem participação no resultado de seu trabalho. A verdade é que São Paulo é exemplo na aplicação de recursos públicos nos Institutos de Pesquisa e vanguarda na busca de alternativas para manter sua vitalidade e ampliar sua atuação.
Ficamos à disposição da Globo Rural caso tenham interesse em esclarecer estes pontos em respeito a centenas de pesquisadores e colaboradores dos Institutos de Pesquisa que trabalham com dedicação e seriedade.

Atenciosamente,
Arnaldo Jardim
Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

POR REDAÇÃO GLOBO RURAL

Fonte : Globo Rural