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Pesquisa deverá ajudar a desenvolver a silvicultura

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Produção florestal primária atingiu R$ 18,7 bilhões em 2013, diz IBGE

ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC

Levantamento permitirá a avaliação de tipos de eucalipto produzidos fora de áreas nativas

Levantamento permitirá a avaliação de tipos de eucalipto produzidos fora de áreas nativas

Pela primeira vez, a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisou dados referentes ao número dos principais produtos madeireiros da silvicultura, divididos nas principais espécies plantadas para exploração. Um exemplo é a avaliação dos tipos de eucalipto produzidos fora de áreas nativas. Na avaliação do gerente da pesquisa, Luis Celso Guimarães, o novo critério vai favorecer os produtores nas análises das regiões de plantio. Segundo ele, essa era uma reivindicação do setor.
“Era uma solicitação do usuário para saber que tipo de espécie estava sendo mais plantada no Brasil, além da localização e distribuição delas. Neste ano, a gente vai ter a produção desses artigos madeireiros por municípios. Onde, por exemplo, está o pinus. É importante saber qual a espécie melhor adaptável por região. O produtor verá qual a variedade de eucalipto que vai plantar e verificar a que se adapta à região em que ele está”, disse Guimarães.
A Pevc 2014 analisou dados de 38 produtos originados do extrativismo vegetal e sete da silvicultura, em todos os municípios brasileiros, referentes ao ano-base 2013. A produção da extração vegetal é obtida nas matas nativas e da silvicultura nas matas plantadas. A extração vegetal é dividida em nove grupos, entre eles, o dos alimentícios, das oleaginosas, fibras, ceras, dos corantes e das madeiras. A silvicultura inclui produtos não madeireiros, como resina, folhas de eucalipto, cascas de acácia-negra e madeiras para papel e celulose, além do carvão e da lenha.
“É uma pesquisa que não vai direto ao produtor. Ela é obtida de maneira indireta, por meio de contatos com associações, cooperativas e discutida também nos grupos de estatísticas agropecuárias e nas comissões municipais de estatísticas agropecuárias. Os informantes são variáveis e estamos, no momento, montando um cadastro de pessoas, que varia muito de estado para estado. Há estados em que a atividade é mais intensa e tem mais informantes. Há outros em que a atividade não é tão acompanhada, então fica menor o número de informantes”, acrescentou.
De acordo com a pesquisa, a produção florestal primária atingiu R$ 18,7 bilhões, sendo a maior parte (76,1%), R$ 14,1 bilhões, referente à silvicultura, e 23,9% ou R$ 4,5 bilhões, à extração vegetal. Os produtos madeireiros de extração vegetal representaram R$ 3,2 bilhões, enquanto o restante é formado por não madeireiros. Na silvicultura, os quatro produtos madeireiros somaram R$ 14,1 bilhões, e os três não madeireiros registraram um total de R$ 143,8 milhões.
Também no ano passado, o grupo de produtos alimentícios da produção extrativa não madeireira indicou maior valor de produção, com 71,3% de participação no resultado obtido pelo segmento, seguido das ceras (10,6%), oleaginosas (10,4%) e fibras (6,8%). O açaí se destacou pelo valor de produção (R$ 409,7 milhões), acompanhado da erva-mate nativa (R$ 400 milhões) e da castanha-do-pará (R$ 72,1 milhões). A produção de açaí extrativo chegou, em 2013, a 202.216 toneladas, o que significou aumento de 1,6%, na comparação com o ano anterior. De acordo com o técnico do IBGE, diante da grande demanda do açaí, as matas do produto já começaram a receber áreas plantadas, mudando a classificação para produção agrícola. O babaçu apresentou queda de 8,3%, comparado a 2012. “De acordo com o que está sendo oferecido em termos de valor, há falta de motivação de quem coleta os produtos, passando para outros produtos. Se tiver alguma coisa que pague melhor, a pessoa passa para outra cultura”, observou.
O gerente lembrou que o plantio de eucalipto fornece 95% da produção nacional de carvão vegetal da silvicultura, 85% da produção de lenha e 68% da produção de madeira em tora.

Fonte: Jornal do Comércio