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Perspectivas promissoras incentivam aportes no RS

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Com cinco indústrias de extração de azeite em Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul, Santana do Livramento, Pinheiro Machado e Formigueiro, no centro-sul do Estado, o Rio Grande do Sul tem capacidade para processar 3,2 toneladas de azeitonas e produzir quase 500 litros de óleo por hora. O número de produtores de oliveiras chega a 120 e em 2016 serão inauguradas mais duas fábricas, uma em Caçapava do Sul para prensar 240 quilos por hora e outra de porte ainda indefinido em Muitos Capões, na região norte.

A planta de Muitos Capões será montada pela Rasip, do empresário Raul Randon, presidente do conselho da Randon e entusiasta da cultura. Ele plantou meio hectare para testes em 2007, extraiu óleo com 0,2% de acidez e há quatro anos implantou 35 hectares, que começarão a produzir em 2016. "Em dez anos vamos a 300 hectares", diz ele, que por enquanto vende azeite importado do Chile com a marca Campos Gourmet.

A Tecnolivas, dona da marca Prosperato, entrou na olivicultura em 2011 e desde então aumentou de 48 para 200 hectares a área de pomares em Barra do Ribeiro, Caçapava do Sul e São Sepé. Desse total, 70 já estão em produção e na próxima primavera o plano é plantar mais 30, diz Rafael Marchetti, diretor da empresa.

A primeira colheita foi em 2013, mesmo ano da inauguração da indústria de extração de azeite com capacidade para 900 quilos de azeitonas por hora em Caçapava do Sul. Marchetti diz que as plantas se adaptaram bem no Estado, e algumas variedades começam a produzir no terceiro ano, enquanto na Europa o inverno mais rigoroso adia a primeira safra para quatro ou cinco anos após o plantio.

A empresa também produz mudas e neste ano vai entregar 118 mil unidades, suficientes para 400 hectares de pomares. A produção de azeitonas caiu de 55 para 17 toneladas em 2015 e rendeu 3 mil litros de azeite, mas o resultado não desanimou. "Vendemos por R$ 45 as garrafas de meio litro", diz Marchetti.

Em Caçapava do Sul, a Associação dos Olivicultores do Sul do Brasil vai investir R$ 330 mil na nova unidade, que prestará serviços aos associados e a terceiros, diz Gustavo Lima, integrante da entidade. Dono de um pomar de 3 hectares e da marca Olivas São Pedro, ele também produz figo irrigado, noz pecã, eucalipto e pecuária, mas nenhuma destas atividades remunera mais que o azeite, que rendeu R$ 15 mil líquidos por hectare/ano.

A Olivopampa, do engenheiro agrônomo peruano Fernando Rotondo, ex-diretor de vendas da Dow Agrosciences no Brasil, é uma das poucas empresas que também produzem azeitonas de mesa no Estado. Segundo ele, 30% da produção em seus 33 hectares em Santana do Livramento tem essa finalidade. Ele também tem uma unidade de extração de óleo com capacidade para processar 200 quilos por hora e vende 80 mil mudas por ano.

Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre
Fonte : Valor