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Pecuária: setor cresce pouco; falta de fêmeas preocupa

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Fonte: PORTAL DO AGRONEGÓCIO

O mercado pecuário brasileiro deve se manter estável em 2011, com baixo crescimento e mantendo participação semelhante à obtida nos últimos anos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio

TERRA

 

Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), a pecuária representou 6,6% do total do PIB do País em 2010, com queda em relação ao ano anterior, quando atingiu 7,01% do PIB. Segundo analistas, apesar de o Brasil continuar no topo do ranking dos exportadores, principalmente no setor de carne bovina, o abate excessivo de fêmeas em 2005 e 2006 ainda compromete e deve ajudar a manter altos os preços tanto no mercado interno quanto externo.
De acordo com levantamento da Conab, o mercado externo está colocando cada vez mais restrições à importação de carnes brasileiras. Com exceção da carne de frango, cujas exportações devem crescer 5% em 2011 em relação a 2010, a carne bovina deve ter redução de 17% no volume exportado em 2011 em relação a 2010 e a carne suína deve ter queda de 1,5% no período.
Em geral, as exportações devem ser 1% menores em 2011, mas a receita deve subir cerca de 14%. "A receita deverá crescer por volta de 14%, uma vez que os valores das carnes, em dólares, tenham apresentado melhora significativa no mercado internacional, muito embora o câmbio tenha se comportado negativamente para a receita dos produtores", diz o levantamento.
O Brasil é o segundo produtor mundial de carne bovina, perdendo apenas para os Estados Unidos e o terceiro maior exportador mundial de carne de frango. Segundo o analista, a comercialização de proteína animal brasileira deverá fechar o ano de 2011 com receita de US$ 14 bilhões. Outro setor que vem apresentando bom crescimento é a suinocultura, que segundo levantamento do Cepea cresceu 13,53% no primeiro quadrimestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010. O Brasil fica em quarto lugar no ranking mundial de exportações da carne. O mercado interno consome cerca de 18,8 milhões de toneladas de carnes por ano, com um consumo de cerca de 97 kg por habitante ao ano.
Oferta e demanda
Em 2005, com a proliferação de doenças que atingiram os rebanhos na União Europeia (UE), os exportadores se voltaram para o Brasil em busca do produto. Os bons preços no mercado internacional e o aumento da demanda provocou um abate exagerado de fêmeas, que fizeram com que faltasse boi magro para venda no mercado. Os reflexos da falta de boi magro serão sentidos ainda em 2011 e 2012.
"O abate das matrizes em 2005 e 2006 ainda estão refletindo já que a fêmea demora três anos para estar pronta para procriar e por isso houve essa escassez de boi magro", comenta o analista o analista de mercado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wander Fernandes de Sousa. "Para 2012 o mercado deverá permanecer bastante ajustado e os preços devem se manter em patamares elevados e com escassez de produtor", completa.
"O mercado interno aquecido, com mais empregos e maior poder de compra faz com que o consumo de carne também seja maior. Assim, como a demanda está maior que a oferta, os preços do produto devem continuar altos", diz a pesquisadora de economia aplicada da Fundação Getúlio Vargas, Ignez Vidigal Lopes.
A atual crise mundial, no entanto, não deve trazer preocupações adicionais aos produtores. Segundo Sousa, enquanto ela estiver restrita à Europa e EUA, o mercado brasileiro está seguro, já que os grandes importadores do produto brasileiro estão na Ásia e no Oriente Médio. No entanto, caso a crise se alastre para esses mercados, o impacto no setor será profundo. "Caso a crise não atinja os principais mercados que importam carne brasileira, como Rússia, Japão e China, não haverá problema", diz Sousa.
A alta do dólar pode ser um problema. "Apesar de o preço da carne subir com a alta do dólar, os insumos, em especial a ração animal, que tem entre os componentes milho e soja, que são commodities, também podem ficar mais caros e prejudicar o produtor", comenta.
"Como o sistema brasileiro é basicamente extensivo, com necessidade de pastagens, o produtor está investindo em outros produtos com rentabilidade maior e deixando de investir em gado. Isso também contribui para a falta de boi no mercado", diz o analista da consultoria Safras & Mercado, Paulo Molinari.