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PECUÁRIA – EXPOINTER – Cordeiro de quatro chifres faz sucesso na Expointer

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Fonte:Franco Rodrigues/Glow

Ovinos da raça crioula, usualmente, apresentam mais de dois chifres

Quem vem até Esteio (RS) para conferir a 40ª edição da Expointer encontra as mais diferentes raças de bovinos, ovinos, caprinos, equinos e pequenos animais – como coelhos e chinchilas. Mas nenhum deles chama tanta atenção quanto o cordeiro da raça crioula Três Ilheiras 07, da cabana Três Ilheiras. Isso porque o animal possui quatro chifres, uma condição comum em animais desta raça.

Além de chamar a atenção dos visitantes, o animal garantiu para a cabanha dois prêmios nesta edição. Filho de uma grande campeã da raça, o cordeiro foi premiado como reservado grande campeão e ficou em segundo lugar na categoria borrego maior da raça crioula.

O médico veterinário e presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos Crioulos (ABCOC), Volnei Afonso Merino, explica que o policerismo é uma característica morfológica da raça; os animais apresentam um par de chifres central voltado para cima e um ou mais pares, curvados na lateral da face. “Desde o mocho é possível até 100 chifres, mas isso eu só vi na literatura. Mas já tive animal com cinco chifres e que, inclusive, foi grande campeão aqui em Esteio”, conta.

Segundo Merino, os chifres são muito macios e quando os machos ainda são borregos – animais entre 6 e 12 meses – acabam quebrando os próprios chifres na hora de brincar. “É muito difícil ver um cordeiro que não tenha pelo menos um quebrado, porque quando vão brincar, eles mesmos acabam quebrando”, explica.

Djonatan Canes, dono da cabanha e do famoso animal, conta que foi o que aconteceu com Três Ilheiras quando ainda era filhote. “Ele quebrou as quatro guampas (chifres) e ainda dei a sorte que três cresceram de novo, mas uma ficou pequena, porque quebrou depois de grande”, diz Canes.

O trabalho com animais da raça é maior. Quanto mais chifres, maior a chance de algum cordeiro se machucar, o que exige atenção e cuidado dos donos e tratadores. “Quando a gente coloca o animal no brete (para tosar), ele se mexe demais, pode se machucar, são casos que eu já vivi, então precisa estar mais atento ao animal”, destaca.

Apesar do cuidado, a raça tem vantagens e compensa para o pequeno produtor que quer investir em novos negócios. Segundo Merino, ela é uma raça voltada para a produção de leite e pele, e devido ao couro macio e resistente é muito procurada por empresas de decoração para a produção de artefatos de couro. Além disso, sua lã é muito utilizada em carpetaria, o que dá ao produtor a chance de negócios em diversos mercados.

  • Giulia Trecco, de Esteio (RS)
  • Fonte : Canal Rural