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Pecuária avança, mas setor precisa aprimorar qualidade

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A pecuária viveu nas últimas décadas o seu período de ouro. Pesquisa e produtividade determinaram os rumos do setor, que hoje é visto de forma bem diferente até pela sociedade.

A avaliação é do empresário Jovelino Mineiro, há 30 anos neste setor promovendo seleção de gado.

Mineiro atribui a evolução da pecuária a um "sucesso coletivo", e diz que um dos destaques nesse crescimento foi a criação da Embrapa.

As pesquisas desenvolvidas por essa empresa e por outros órgãos voltados para a pecuária deram novos rumos ao setor.

A adaptação da raça zebuína ao clima brasileiro, o melhoramento genético, o avanço da tecnologia de reprodução e a disseminação rápida da tecnologia colocaram o país entre os principais produtores e exportadores de carne, segundo ele.

Para Mineiro, a eficiência da pecuária passa também pela modernização da indústria brasileira desse setor. Na avaliação dele, produtores e indústrias que não aderirem a essas novas opções tecnológicas vão perder participação no setor.

O avanço obtido pelo setor até agora, no entanto, ainda não é suficiente. O país necessita aprimorar a qualidade, adquirir marca e buscar denominação de origem.

Mineiro coloca ainda como objetivo importante a padronização da carne e a busca permanente de produtividade no setor. "Avançamos, mas ainda temos muito por fazer", afirma ele.

Avaliando o cenário deste ano e de 2015, o empresário diz que a conjuntura é boa. A matança de fêmeas nos anos anteriores inibiu a evolução do rebanho brasileiro e, consequentemente, gerou preço melhor para os pecuaristas.

Os novos patamares de preços acabaram, no entanto, sendo ajustados à demanda dos consumidores, que tiveram uma elevação de renda nos últimos anos. "Foi bom para o pecuarista e para o consumidor."

Mineiro, que faz neste domingo (21) o 25º leilão de touros brahman e nelore da Fazenda Sant’Anna, em Rancharia (SP), diz que inovação e tecnologia são indispensáveis à atividade.

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Após guerra, agricultura familiar avança em Angola

Doze anos após o fim de sua guerra civil, Angola começa a ter avanços na agricultura familiar. Mas o desafio é grande: o país ainda importa quase tudo o que consome, de carnes a açúcar.

A explicação está na história. "A guerra fez com que as pessoas perdessem o interesse em trabalhar na terra. Elas começavam a plantar, mas logo precisavam sair do local e perdiam tudo", conta Kimputu Ngiaba, responsável pelo projeto "Kukula Ku Moxi", em Malanje, norte do país.

Criado em 2009 pela Sodepac, órgão ligado ao governo, o programa conta com 700 famílias. Com orientações de agrônomos e a venda da produção à Biocom, usina de cana que fica ao lado da comunidade, a renda das famílias quadruplicou no período.

Marcelo Justo – 26.ago.2014/Folhapress

Agricultora familiar colhe alimentos em horta do programa “

Agricultora familiar colhe alimentos em horta do programa "Kukula Ku Moxi", em Angola

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Apetite chinês Os exportadores informaram ao Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) que a China comprou 620 mil toneladas de soja da safra 2014/15, que começou no início deste mês.

Preços O retorno da China com apetite ao mercado fez com que a oleaginosa parasse de cair em Chicago. O primeiro contrato fechou a US$ 9,82 nesta quarta (17), ante US$ 9,81 na terça (16).

Cacau A demanda puxou o preço da commodity em Nova York para US$ 3.153 por tonelada nesta quarta (17).

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Exportação desacelera em SP; importação cresce

A exportação do agronegócio paulista recuou para US$ 12,1 bilhões nos oito primeiros meses deste ano, aponta o IEA (Instituto de Economia Agrícola). No mesmo período, a importação subiu para US$ 4,1 bilhões, reduzindo o saldo da balança desse setor para US$ 8 bilhões.

Colaborou TATIANA FREITAS, de São Paulo

 

Fonte: Folha

18/09/2014 02h00