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Pecuarista obtém margens melhores no campo

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O produtor Claudinei Saldanha Júnior, de Itirapina (SP), aderiu ao projeto da Nestlé de fomento à produção de leite orgânico em julho do ano passado, assim que a empresa começou a buscar fornecedores na região de Araraquara.

Saldanha, único entre os fornecedores da Nestlé cuja produção de leite já é certificada como orgânica atualmente, vendia até então a matéria-prima para a Fazenda da Toca, que deixou de atuar em lácteos. Ele começou a produzir leite convencional em 2006 e em maio de 2013 iniciou a conversão para orgânico. Obteve a certificação em outubro do ano seguinte. "Sempre gostei de gado a pasto, criado da forma mais natural possível", diz.

Produzir de um jeito mais natural, porém, dá mais trabalho e implica custos maiores. "Para a conversão do pasto tem de tirar todo as ‘cidas’ da propriedade", brinca o produtor, numa referência aos defensivos químicos usados no manejo convencional da pastagem.

Apesar dos desafios, os resultados na propriedade de Saldanha são positivos. Enquanto o custo de produção subiu 30% a 40%, diz ele, a margem de lucro dobrou. Isso porque além de receber um prêmio pelo produto orgânico, ele obtém um bônus pela qualidade do leite que entrega à empresa. A Nestlé utiliza como preço de referência a média apurada pelo Cepea na região.

Saldanha tem hoje 43 vacas adultas das raças girolando, holandês, jersey e sueco vermelho em sua propriedade, 37 delas em lactação, produzindo um volume de cerca de 600 litros por dia. A produtividade de cada animal é praticamente a mesma de quando utilizava o manejo convencional, segundo ele.

Com 53 vacas em lactação em sua propriedade em São Carlos, Maria Beatriz Malta Dota, iniciou o processo de conversão para a produção orgânica de leite no fim de abril passado. Ela produz leite há 15 anos e já fornece à Nestlé há oito.

A perspectiva de produzir um leite mais saudável e o aumento da procura pelo produto orgânico a levaram a aderir ao projeto da multinacional suíça. "Esperamos ser um exemplo para outros produtos", afirma ela. Hoje, a propriedade de Maria Beatriz produz 700 litros de leite por dia, mas a meta é chegar a 1 mil litros por dia ano que vem, com 65 a 70 vacas em lactação.

Ela considera que os maiores desafios no modelo de produção orgânica são o controle de pragas e a alimentação do rebanho. Em sua propriedade, além da pastagem os animais recebem silagem de cana e capim como alimento.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Carlos e Itirapina

Fonte : Valor