Paulista Utam avança no segmento de cápsulas, mas prevê receita estável

Ana Carolina, diretora da Utam, diz que crise não afeta segmento de cápsulas
Diante da dificuldade para repassar a alta dos custos e da matéria-prima para os preços do café, há empresas que têm preferido sacrificar resultados para não perder volumes de venda, como a paulista Café Utam.

Segundo Ana Carolina Soares de Carvalho, diretora-executiva da Utam, a empresa "tem trabalhado muito para manter o faturamento". Ela diz que não é possível obter "aumentos significativos" de preços, mas garante que não tem havido queda nos volumes vendidos de café torrado e moído, um mercado já consolidado. "Está difícil repassar custos", reforça, acrescentando que, além da alta do grão, o setor enfrenta "aumento de custos como um todo".

Nesse cenário, a expectativa da executiva é que a receita bruta da companhia fique estável em relação a 2014, quando somou R$ 54,373 milhões. "Estamos preferindo comprometer um pouco o resultado porque há dificuldades de repassar reajustes. Se repassar, tem queda [nas vendas]", diz. No ano que passou, a Utam teve lucro líquido R$ 2,160 milhões.

Embora ainda não faça previsões sobre o faturamento do próximo ano, Ana Carolina reconhece que o ano de 2016 "ainda deve ser difícil". No entanto, acredita que a partir de meados do ano a situação "comece a melhorar um pouco".

Se o desempenho do mercado em geral não é animador, uma categoria tem gerado boas notícias para café Utam: a de cápsulas. Depois de um crescimento de 290% no volume de vendas entre 2013 e 2014, a e expectativa é de novo avanço este ano. Segundo a diretora, os volumes vendidos devem crescer mais 160% e alcançar 1,5 milhão de cápsulas. A receita com as vendas desse segmento crescem na mesma proporção, afirma.

"A categoria não tem sentido reflexo da crise. Esse é um mercado que tem potencial para crescer", diz. Há otimismo também para o próximo ano e a previsão é de que as vendas cheguem a 2,5 milhões de cápsulas.

A Café Utam vende no mercado cápsulas nacionais e importadas. As nacionais têm blends de grãos produzidos no Brasil e as importadas, grãos de origens como Etiópia, Colômbia e Angola. A empresa estreou no segmento com o produto importado, e a partir de 2014 passou a fabricar no Brasil em parceria com a portuguesa Kaffa. Mas manteve a venda das cápsulas importadas para manter a oferta desses blends de outras origens.

Outro segmento que também tem entusiasmado a empresa são as vendas no e-commerce, que cresceram 142% em relação ao primeiro semestre de 2014, de acordo com a diretora-presidente.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor