Países descobrem qualidade do vinho nacional

Em 2014, Brasil exportou quase 10 milhões de dólares da bebida

Brasil exportou, em 2014, quase 10 milhões de dólares em espumantes e vinhos. Reino Unido e Paraguai lideraram ranking das exportações | Foto: Samuel Maciel

Brasil exportou, em 2014, quase 10 milhões de dólares em espumantes e vinhos. Reino Unido e Paraguai lideraram ranking das exportações | Foto: Samuel Maciel

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  • Mauren Xavier

As exportações brasileiras de vinhos finos, incluindo espumantes, superaram as expectativas no ano passado. Em valor, o aumento foi de 83,7%, com destaque para os espumantes, que sozinhos conquistaram alta de 127%. Ao todo, foram exportados quase 10 milhões de dólares em vinhos e espumantes. O crescimento não foi por acaso, mas resultante de diversas iniciativas para potencializar a presença dos vinhos e de espumantes nos outros países.
Merece destaque o trabalho realizado especialmente no Reino Unido, que lidera as exportações em valor. O Brasil firmou um acordo, em 2013, com grandes varejistas neste país. Isso fez com que houvesse um crescimento de 422% nas exportações entre 2013 e 2014, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Além do Reino Unido, os países que mais compraram produtos brasileiros, em total de valores, foram Bélgica, Paraguai, Holanda e Alemanha.
Em litros, as exportações atingiram crescimento de 74,8% no ano passado, na comparação com 2013. O país que mais recebeu o produto brasileiro foi o vizinho Paraguai, com mais de 508 mil litros, sendo seguido pelo Reino Unido e pela Bélgica. O Brasil conseguiu exportar ainda, apesar do volume pequeno, para a Argentina. Outro fator que potencializou as exportações foi a categoria vinho fino. Após a realização da Copa do Mundo, em junho e julho do ano passado, houve um crescimento na procura pelos produtos. “Trouxe uma exposição muito grande. Esperamos repetir o sucesso nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016”, projeta o presidente do Ibravin, Moacir Mazzarollo.
Por outro lado, as uvas, os sucos e os vinhos a granel não tiveram bom resultado. A redução ocorreu principalmente porque o setor não contou com o benefício do Programa de Escoamento da Produção, como ocorreu em 2013. Na importação, os maiores vendedores de vinho para o Brasil são o Chile, com 35,6 milhões de litros; Argentina, com 14,2 milhões; Portugal, com 9,8 milhões; e a Itália, com 9,7 milhões.
Serra gaúcha é a Capital do Vinho
A serra gaúcha é considerada a Capital Nacional do Vinho. Foi na região que milhares de imigrantes europeus se instalaram e a uva ganhou espaço especial. Segundo o Ibravin, em 2014 foram retirados mais de 581 milhões de quilos de uva das parreiras, que compõem a paisagem da região. Para se ter uma dimensão, a Serra conta com quase 33 mil hectares de vinhedos, representando mais de 80% de toda a área destinada à produção do Estado.
De acordo com o Cadastro Vitícola do Rio Grande do Sul, são 12 mil propriedades, distribuídas por 19 municípios. O destaque fica com a cidade de Bento Gonçalves, que dispõe da maior área para esta finalidade.
Há algumas particularidades entre os produtores na região serrana. A maioria das propriedades é minifúndio (pequenas áreas) e contam com a mão de obra familiar. A variedade de uvas plantadas é outro diferencial. As principais são merlot, cabernet sauvignon, tannat, pinot noir e cabernet franc. Mas novas uvas também estão ganhando espaço, como é o caso da Moscato Bianco, Chardonnay e Riesling Itálico.
Do total da uva cultivada na região, 54 milhões de quilos foram destinados a vitis viniferas, que é utilizada na produção de vinhos e espumantes. Já os outros 528 milhões de quilos foram de uvas híbridas e americanas. Este tipo é usado para a produção de vinhos de mesa e derivados. A produção também é grande na região. No ano passado foram elaborados 192 milhões de litros de vinho de mesa e outros 34 milhões de litros de vinhos finos. Já o suco totalizou 110 milhões de litros e 29 milhões de quilos de suco concentrado no ano passado.

Fonte: Correio do Povo