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País deve colher 45,5 milhões de sacas de café

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O Brasil deverá colher 45,56 milhões de sacas de café na safra 2017/18, estimou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número divulgado no segundo levantamento da estatal para o ciclo ficou dentro do intervalo previsto na primeira estimativa, de janeiro, que indicava uma produção entre 43,65 milhões e 47,51 milhões de sacas de café das espécies arábica e conilon.

Se confirmado, o volume será 11,3% inferior à safra 2016/17, quando a produção de café foi prejudicada por escassez de chuvas no Espírito Santo, principal Estado produtor de conilon. A principal razão para o recuo no ciclo, cuja colheita está começando, é a bienalidade negativa do cultura, que afeta principalmente o arábica.

Conforme a nova estimativa da Conab, a produção de arábica deve alcançar 35,43 milhões de sacas. Em janeiro, a previsão era de uma produção entre 35,01 milhões e 37,88 milhões de sacas. O volume estimado ontem para o arábica é 18,3% inferior ao produzido no ciclo 2016/17. Em Minas Gerais, maior Estado produtor de arábica, o levantamento sinaliza uma redução da produção da ordem de 16,6%, em função principalmente na bienalidade negativa das maiores regiões produtoras do Estado, com exceção da Zona da Mata. A produção mineira deve somar 25,36 milhões de sacas, segundo a Conab.

Para o conilon, o órgão elevou a estimativa de produção para 10,13 milhões de sacas – em janeiro, previa uma colheita entre 8,64 milhões e 9,63 milhões de sacas. No ciclo passado, quando a seca afetou a produção no Espírito Santo, a colheita no país somou 7,98 milhões de sacas. Segundo a Conab, o aumento previsto deve-se, sobretudo, à recuperação da produtividade do conilon na Bahia e Rondônia e à maior utilização de tecnologias nas lavouras.

De acordo com a Conab, a área de cultivo do arábica e do conilon no país deve ficar praticamente estável em relação à estimativa anterior e à safra passada, com 2,21 milhões de hectares.

O superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Aroldo Oliveira, disse que o maior uso de pacotes tecnológicos no campo e o clima mais favorável indicam, até agora, que em média as lavouras do país terão maior produtividade na safra 2017/18. Isso deve permitir também a recuperação na produção do conilon. "O café conilon está em trajetória de recuperação de sua produção. O Brasil deve colher 10,14 milhões de sacas este ano, mas poderia ser melhor não fossem os estragos nas áreas cafeeiras nos dois últimos anos com as fortes secas no Espírito Santo, Estado líder nessa produção", afirmou Oliveira.

No relatório sobre a safra 2017/18 de café divulgado ontem, a Conab também informou que o próximo trimestre será de chuvas abaixo da média nas regiões produtoras do Brasil, de modo que a maturação dos grãos e a colheita devem ocorrer de forma tranquila. "As anomalias previstas para junho, julho e agosto são pouco significativas", diz o relatório. A exceção é o Espírito Santo, afirma a Conab, onde a previsão de anomalia de precipitação é de menos 50 mm, com uma probabilidade de ocorrência de 40 a 50%.

Com a indicação de clima favorável nos próximos meses, a colheita de café deve se desenvolver de forma tranquila e os preços do café tendem a cair, segundo a Conab. "O cenário de preços em Minas Gerais e Espírito Santo indica a manutenção da tendência de queda iniciada em novembro de 2016, depois de quase dois anos de elevação contínua", diz o relatório. "Esse comportamento dos preços deve continuar de junho a agosto, quando se intensificam os trabalhos de colheita", acrescenta.

  • Por Fernanda Pressinott e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília
  • Fonte : Valor