Paraná quer mudar seu status para febre aftosa

De olho na abertura de mercados para a carne suína, o governo do Paraná solicitou ao Ministério da Agricultura na semana passada a revisão do status de risco do Estado para o vírus da febre aftosa. Os paranaenses pleiteiam obter o reconhecimento de área livre da doença sem a necessidade de vacinação. Hoje, o Estado é considerado livre com vacinação.

Segundo o secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, o pedido se justifica porque o Estado não registra casos do vírus há dez anos. Entre os Estados e países que fazem divisa ou fronteira com o território paranaense, o último caso ocorreu no Paraguai, em 2011.

Caso o Ministério da Agricultura dê aval, o Paraná deixaria de vacinar o rebanho no segundo semestre, mas só conseguiria o status conferido pela Organização Mundial de Sade Animal (OIE) em março de 2017. Isso porque é preciso um período de 12 meses sem vacinação para fazer o pedido oficial à OIE.

Apesar da confiança, o secretário reconhece que o pedido feito ao Ministério desagradou a entidades de classe. Na última segunda-feira, durante audiência pública na Assembleia Legislativa estadual, um conjunto de 26 entidades entregou um ofício questionando o pedido. Entre as signatárias estão a Sociedade Rural do Paraná, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Para essas entidades, o Paraná só deveria mudar seu status num movimento em bloco, juntamente com São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Caso contrário, o Paraná, que tem um rebanho de cerca de 9,1 milhões de cabeças, dificultaria a atividade de pecuaristas e frigoríficos locais, uma vez que não seria mais possível trazer bois de regiões que não têm o mesmo status.

Atualmente, apenas Santa Catarina é livre de aftosa sem vacinação, mas o Estado é pouco relevante em bovinos. Para os catarinenses, a obtenção do status foi importante para a cadeia de suínos, que pode abrir o mercado do Japão. Para o Paraná, a produção de suínos também seria a maior beneficiada, admite Ortigara.

Esse novo status elevaria os riscos de reintrodução do vírus, avalia o presidente da Sociedade Rural de Maringá, Wilson de Matos Silva Filho. "Temos divisa com Argentina e Paraguai", observa. Ele questiona ainda a capacidade de resposta do Estado caso o vírus reapareça, uma vez que o Paraná enfrenta grave crise financeira.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo