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Painelistas do terceiro Fórum Soja Brasil acreditam que demanda e preço da soja devem se manter elevados

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Especialistas participaram de debate nesta quinta, dia 13, sobre riscos e consequências do mercado em alta em São Gabriel do Oeste (MS)

Veronica Streliaev/Canal Rural

Foto: Veronica Streliaev/Canal Rural

Município de São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul, foi palco do Terceiro Fórum Soja Brasil

A cidade de São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul, foi palco do Terceiro Fórum Soja Brasil realizado nesta quinta, dia 13. Com o tema "Riscos e consequências do mercado em alta”, especialistas e jornalistas discutiram os preços, a demanda e a próxima safra de soja brasileira. De acordo com os participantes, a demanda e preço dos grãos devem se manter elevados na safra 2012/2013.
Apresentado pelo jornalista João Batista Olivi, participaram do debate Flávio França Júnior, economista e diretor de Produtos de Safras & Mercado; Liones Severo Correa, gerente comercial da empresa Chinatex; Eduardo Riedel, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul); Venilson Ferreira, repórter da Agência Estado e Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil.
Para Flávio França, a demanda deve se manter positiva, apesar de haver uma turbulência financeira. Neste momento, segundo ele, há solidez no mercado de soja e não há espaço para grandes quedas nos preços do grão.
— Esse momento que estamos passando está ligado ao problema de oferta com uma manutenção positiva de demanda, mesmo com a turbulência financeira mundial. O momento está baseado na baixa da safra mundial. Tivemos perdas na Europa, no Brasil, e agora nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, porém, há a manutenção positiva de demanda. A temporada 2012/2013 é baseada em solidez de mercado. Eu não tenho dúvida que essa safra terá, apesar de um sentimento de safra cheia, bons resultados. Não há espaço pra grandes quedas nos valores internacionais, e mesmo que exista uma queda, estaremos falando ainda de preços muito altos.
Segundo ele, espera-se colher uma safra cheia, mas apesar disso os preços devem se manter elevados. O produtor, porém, precisa ter cautela.
— Esperamos colher uma safra cheia, e mesmo com safra cheia, há tendência de preços favoráveis. Mas não dá para criar raiz em preço, temos que ter cuidado e pés no chão no planejamento desta safra.
Sobre a possibilidade de queda na demanda de soja, Liones Severo Correa, aponta que o Brasil não terá grandes problemas para vender o grão. A China, que é um grande importador da soja brasileira, vai continuar comprando o grão produzido no país.
— A soja é a principal energia hoje. O cenário todo se tornou muito apertado e nós vamos viver esse período por um longo tempo. A China está importando, este ano, mais de 50 milhões de toneladas de soja. Ano que vem deve chegar a 60 milhões. Eles têm um consumo muito grande. Se formos projetar isso daqui a alguns anos, a China vai demandar muito mais do que o mundo poderá produzir. Mas nós temos que ter cautela em focar somente na China, temos que focar em outros destinos. É possível que haja redução de demanda em outras partes do mundo, mas com a China podemos ficar tranquilos.
Correa, entretanto, alerta os produtores em relação ao preço da soja. Segundo ele, a China não deve parar de comprar, mas outros países podem reduzir o consumo, o que pode interferir no preço.
— Só peço para cuidarmos o preço, que está em alta. A China não para de comprar, mas outros países param. Os Estados Unidos colhem uma grande safra, a Europa também, então temos que ter cuidado.
Para Glauber Silveira, a próxima década será a década da soja, e os produtores devem aproveitar o bom momento para se capitalizar, assim como os produtores norte-americanos fazem.
— Esse crescimento da soja eu pude ver nos Estados Unidos. Lá o milho teve um grande crescimento, e agora é a vez da soja. Nós produtores temos que aproveitar, mas também nos preocupar. Nós visitamos várias lavouras nos Estados Unidos e todos queriam saber se o Brasil ia aumentar a produção, porque lá eles vão aumentar.  Para a próxima safra os preços estão garantidos. Mas há riscos pelo fato de o Brasil ter aumentado bastante sua área plantada, Argentina e Uruguai também, e não sabemos qual será o impacto desse aumento de área. A cada quatro anos temos um preço recorde, mas também a cada quatro anos temos um preço que nos mata. É hora de o produtor aproveitar o momento e se capitalizar.
Eduardo Riedel também acredita que o produtor brasileiro, que se profissionalizou muito nos últimos anos, deve aproveitar o bom momento para evoluir ainda mais.

– Vamos voltar um pouco no tempo, em 2004, quando a soja alcançou preços altos, mas que depois desabaram. Depois dessas altas e baixas, o produtor aprendeu. Não há mais aventureiros produzindo soja. O nível de aprendizado entre os produtores aumentou, eles aprenderam a lidar melhor com o mercado, se profissionalizaram. Foi dolorido, mas aprenderam a perceber o mercado. Há condição de os produtores evoluírem, aproveitando o mercado, se capitalizando e buscando alternativas.

Venílson Ferreira concorda com essa mudança na profissionalização. Segundo ele, o produtor está mais organizado.

– Eu vejo uma mudança muito grande no produtor. O produtor, hoje em dia, está muito mais consciente. Até houve mudança na representação; ele está mais presente em Brasília, no Congresso, organizado em entidades.

O Projeto Soja Brasil é uma realização do Canal Rural, da Aprosoja Brasil e do Senar Mato Grosso, com coordenação técnica da Embrapa. O fórum de São Gabriel do Oeste conta com o apoio regional de Senar Goiás, Senar Mato Grosso do Sul, Aprosoja-MS e Famasul. O patrocínio é da Basf, da Mitsubishi Motors e da Monsanto.

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Fonte: Ruralbr