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Pagamento em atraso preocupa os arrozeiros

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Fonte:  ZH | MARINA LOPES

Processo que levava oito dias chega a 30

Não bastasse a dificuldade em conseguir acesso ao principal mecanismo de comercialização do arroz, o AGF, produtores gaúchos que conseguiram ingressar no sistema reclamam da demora em receber pelo arroz vendido ao governo. O pagamento, que em outras safras levava oito dias para ser liberado, hoje está demorando cerca de 30 dias.

Usuário há pelo menos 10 anos do mecanismo, o produtor José Carlos Dias, de Camaquã, aguarda o pagamento há 20 dias, mas afirma que vários colegas estariam esperando há quase um mês:

– Nunca ocorreu tanta demora para receber. É difícil, porque se acessamos o mecanismo é porque precisamos do dinheiro para saldar os compromissos – explica Dias.

Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Renato Rocha diz que a classe já enfrentou diferentes entraves nas AGFs (Aquisições do Governo Federal), como falta de armazéns credenciados e falta de pessoal do governo para que o cadastramento dos locais fosse feito:

– Tenho recebido comentários dos produtores quanto ao atraso. É um problema muito grave. É complicado que a cada etapa tenhamos mais dificuldades – afirma.

A COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) reconhece a demora, que atribui ao fato de a companhia estar operando com diferentes mecanismos ao mesmo tempo e com pouco pessoal. No entanto, atrasos maiores que 10 dias são atribuídos a entraves burocráticos:

– Devem ser problemas pontuais, que diferem de caso a caso. Quando todo o processo está certo, o processo para pagamento leva em média 10 dias. Existe uma certa demora, mas o problema é de acumulo de trabalho. Não há nada de falta de dinheiro, os recursos estão disponíveis – explica o superintendente regional da CONAB, Carlos Farias.