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Oxfam acusa Cargill de comprar mais terras que o permitido na Colômbia

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BOGOTÁ  -  A americana Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, teria adquirido 30 vezes mais terras do que a legislação da Colômbia permite, alertou a Oxfam International, uma associação de organizações que trabalham pelo fim da pobreza e da desigualdade no mundo.

Em relatório divulgado hoje, a Oxfam disse que a Cargill acumulou perto de 130 mil hectares de terras agrícolas no leste da Colômbia, em transações que destituíram pequenos agricultores de suas terras e que poderiam "exacerbar a desigualdade e o conflito social. "

Funcionários da Cargill negam que as compras de terras tenham violado as leis colombianas.

"Nós temos um alto grau de confiança de que o que fizemos foi totalmente dentro das leis da Colômbia", disse uma porta-voz da Cargill, acrescentando que o investimento da companhia no cultivo de soja e milho proporcionou 200 empregos, energia elétrica, habitação e serviço de ônibus em uma área severamente subdesenvolvida do país.

A Colômbia tem um dos mais altos níveis de concentração fundiária na América Latina. As compras de grandes extensões por entidades individuais têm atraído críticas em um país onde muitas pessoas veem a distribuição de terras como a raiz de um conflito civil que deixou quase 250 mil mortos ao longo de cinco décadas.

Preocupações sobre a distribuição de terras contribuíram também para o aumento de tumultos sociais recentes em áreas rurais da Colômbia. Em agosto, agricultores descontentes com o livre comércio e o custo dos suprimentos entraram em greve por quase duas semanas, bloqueando estradas e interrompendo o fornecimento de alimentos.

Nas negociações de paz que o governo têm conduzido com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a distribuição da terras também tem sido um ponto de discórdia .

Funcionários do governo e legisladores também levantavam questões sobre a compra de terras pela Riopaila Castillo, empresa colombiana produtora de açúcar. A Riopaila se recusou a comentar sobre as suas compras de terra.

As aquisições feitas pela Cargill e por outras companhias ocorreram, em sua maioria, entre 2010 e 2012, e envolvem a compra de mais de 770 quilômetros quadrados de terras.

As transações passaram a ser discutidas porque eram originalmente terras federais, que foram concedidas aos pequenos agricultores por meio de um programa que visava a reforma agrária e a redução da pobreza.

Os pequenos agricultores têm o direito de vender essas terras, mas na maioria dos casos, as leis colombianas limitam quanto um único comprador pode adquirir para evitar a concentração das propriedades nas mãos de uma minoria rica, dizem especialistas.

O relatório da Oxfam aponta que a Cargill criou 36 empresas para comprar 39 propriedades, supostamente ultrapassando tais limites. A porta-voz da empresa não contestou essas compras, mas negou que as aquisições tenham sido ilegais. Segundo a Cargill, muitas compras são uma forma de investimento no mercado imobiliário.

A companhia também teria adquirido alguns terrenos a preços inflacionados, de acordo com a Oxfam. Segundo o relatório, a Cargill comprou em 2012 uma área de 2,73 mil acres (1,1 mil hectares) por US$ 2 milhões, que no início do ano tinha sido vendida por US$ 10 mil. A porta-voz da Cargill disse que a empresa paga o valor justo de mercado, dado o interesse por terras naquela área.

Alguns funcionários do governo dizem que as vendas de terras feitas por agricultores a empresas sugerem um fracasso da política governamental de concessão de lotes a pequenos agricultores para estimular o desenvolvimento rural. "O governo não deve dar a terra que precisa de muito investimento para os pequenos agricultores, que não têm a capacidade e os recursos para explorá-la", disse Francisco Estupinan, ex- ministro da Agricultura da Colômbia.

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Fonte: Valor | Por Dow Jones Newswires