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Operações de troca diminuem na Cooxupé

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As chamadas operações de barter diminuíram significativamente este ano entre os cafeicultores e a Cooxupé, a maior cooperativa de café do mundo, com sede em Guaxupé, Minas Gerais.

A prática, muito comum para vários produtos agrícolas, é tradicionalmente feita por cerca de 85% a 90% dos cerca de 10 mil cafeicultores ligados à Cooxupé, segundo José Eduardo dos Santos Júnior, superintendente de desenvolvimento do cooperado.

Mas, em 2012, o percentual caiu muito e não passa de 35%, estima Santos Júnior. Segundo ele, o desinteresse pela operação se deve à queda dos preços do grão. "O produtor optou por esperar, passou a enxergar que a relação de troca não está tão vantajosa com preços entre R$ 260 e R$ 270 a saca, enquanto em 2011 eram de R$ 500", explica.

As operações são firmadas entre produtor e cooperativa normalmente nos meses de agosto e setembro para serem liquidadas no mesmo período do ano seguinte. O produtor compra os insumos e o preço estabelecido é convertido em sacas de café, que devem ser entregues à cooperativa para liquidar a operação. O modelo também é usado para a aquisição de máquinas.

A operação é feita internamente com a cooperativa e envolve CPRs (Cédula de Produto Rural). A cooperativa se encarrega de fazer o hedge na bolsa. "Garante tranquilidade ao produtor de quantas sacas ele está devendo. Ele não precisa se preocupar com os juros, dólar etc.", afirma Santos Júnior. Além disso, o fornecimento do produto para a cooperativa fica garantido. Outros cooperados escolhem comprar os insumos à vista e pagá-los com a venda do café, que é comercializado diretamente com a cooperativa.

Na Cooparaíso, em São Sebastião do Paraíso, na Mogiana Mineira, as operações de troca são feitas de modo que o produtor nunca comprometa mais de 20% da sua safra, segundo Francisco Ourique, superintendente comercial da área de café da cooperativa. "É uma operação extremamente salutar", enfatiza, na medida em que o produtor "fixa" a receita dele para equilibrar seu fluxo de caixa. Laércio Giampani, presidente da Syngenta Brasil, acredita que cerca de 50% de todas as vendas de insumos para as grandes culturas no Brasil estão suportadas por barter. (CF)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo