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Omissão do Planalto recrudesce retrocesso no campo

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Este abril sangrento no campo pode ser apenas o prólogo do que está por vir. As cenas de faroeste protagonizadas na região de Colniza – cidade do Mato Grosso até há pouco conhecida como "a mais violenta do Brasil", onde foram assassinados nove posseiros e trabalhadores rurais, um deles, degolado – e no ataque a bala a índios gamela no domingo, no Maranhão (com sete hospitalizados e novos relatos de selvageria) também estão na conta das mensagens enviesadas do Planalto.

Não que a ex-presidente Dilma Rousseff tenha sido grande demarcadora de terras ou que seja possível esquecer os comentários infelizes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva às reivindicações indígenas e quilombolas. Mas nada se compara ao comportamento passivo do governo Temer em mediar conflitos agrários. É no caldo do aumento do desmatamento, de parlamentares da Amazônia querendo reduzir unidades de conservação e da força da bancada ruralista no Congresso que frases grotescas como a do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – de que se eleito presidente acabará com terras indígenas e territórios quilombolas – alimentam jagunços impunes no rincões.

Apenas um dado: Osmar Serraglio, ministro da Justiça de Temer, foi relator da PEC 215, a emenda constitucional que pretende transferir do Executivo ao Congresso a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas. Em 55 dias de mandato, Serraglio fez 100 audiências com integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária e não ouviu sequer um índio, segundo reportagem da "Folha de S. Paulo". Para ele, a balança pende só para um lado.

(Daniela Chiaretti | São Paulo)

Por Daniela Chiaretti | São Paulo

Fonte : Valor