OIC prevê oferta global de café ‘ajustada’ em 2015/16

Robério Silva, diretor-executivo da OIC, disse que "futuro é brilhante" para o café; orgão prevê crescimento entre 1,5% e 2,5% na demanda global pelo grão
O consumo mundial de café cresce principalmente nos países exportadores do grão e mercados emergentes e, se o ritmo de avanço persistir, o mercado pode absorver mais 25 milhões de sacas em 2025, segundo Robério Silva, diretor-executivo da Organização Mundial do Café (OIC). Ele apresentou a estimativa ontem no 6º Fórum Coffee&Dinner, em São Paulo.

Em 2014, o consumo mundial de café atingiu 149,3 milhões de sacas, com um crescimento a uma taxa de 2,3% ao ano, de acordo com os dados da OIC.

O levantamento mostra que há 50 anos, os mercados emergentes respondiam por apenas 2% do consumo mundial de café. Em 1990, representavam 5% e ano passado, 15% da demanda global pelo produto. A demanda pela bebida também cresceu nos países exportadores do grão, de acordo com a OIC. Eles representavam 25% há 50 anos, caíram para 23% em 1990 e voltaram a subir, para 31% do consumo global, no ano passado. No caso dos mercados tradicionais, o consumo caiu de 73% do total em 1965 para 72% há 25 anos e 54% no ano passado.

O que permitiu o avanço da demanda nos países exportadores nos últimos anos foi a maior renda disponível e preços mais acessíveis. Isso significa, porém, menor oferta para exportação, de acordo com a organização.

Segundo Silva, mantido o ritmo de aumento de consumo entre 1,5% e 2,5% ao ano, a demanda mundial em 2025 deve chegar a entre 175 milhões e 195 milhões de sacas de café. "Isso significa um futuro brilhante para o café", disse a uma plateia de produtores e exportadores. Assim, segundo ele, mesmo num cenário mais conservador o mercado poderia absorver mais 25 milhões de sacas daqui a 10 anos.

Apesar de crescer num ritmo menor, o consumo em mercados tradicionais, como a União Europeia, também avançou desde 2011, a uma taxa de 1,5% ao ano. Na UE, o incremento foi de 0,8%, nos Estados Unidos, de 2,5%, no Japão, de 2,2% e no Canadá, 3,1%, de acordo com os dados da OIC. No caso dos mercados tradicionais, há um aumento da procura por cafés especiais e também um maior interesse pela origem do produto.

Nem a crise em alguns países emergentes afeta as expectativas positivas da OIC para essas regiões. Segundo Robério Silva, "o consumo é crescente, apesar da crise". Nos últimos anos, o aumento da renda nessas regiões permitiu o avanço da demanda.

Agora, que a economia de parte desses países, caso da Rússia, perde força, o crescimento pode ser explicado pelo aumento populacional e também pelo fato de o café ser visto como um produto de "lifestyle" e saudável, avalia o executivo.

Para um horizonte mais curto, a safra 2015/16 de café, que começa em julho próximo, o diretor-executivo da OIC previu um cenário ajustado de oferta. Silva disse que, a depender do tamanho da safra brasileira de café, a oferta global do produto "será ajustada". Na safra 2014/15, que termina no mês que vem, o déficit mundial está estimado em 4 milhões a 5 milhões de sacas.

De acordo com Silva, a produção mundial na safra 2015/16 está estimada em 144 milhões a 146 milhões de sacas. Esse número considera a previsão de uma colheita entre 44,11 milhões e 46,61 milhões de sacas no Brasil, divulgada em janeiro deste ano pela Conab. A projeção da autarquia brasileira é bem inferior à do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que este mês estimou uma produção 52,4 milhões de sacas em 2015/16. "O cafeicultor está cauteloso em relação a exportar. E ele sabe que elevar a produção derruba os preços no mercado", observou Silva.

Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo