Oferta menor eleva preços do suco

A perspectiva de que os produtores de laranja da Flórida possam terminar a colheita da safra atual com o pior resultado desde 1963 fez com que as cotações do suco de laranja disparassem ontem na bolsa de Nova York, atingindo o maior patamar em mais de um ano.

Os contratos futuros de suco de laranja concentrado e congelado – forma em que o produto é exportado pelas indústrias processadoras – de segunda posição de entrega na bolsa registraram uma variação positiva de 6,47%, ou 920 pontos, e fecharam a sessão a US$ 1,513 a libra-peso. Trata-se do maior valor de fechamento desde 26 de agosto de 2014, quando o contrato que ocupava a segunda posição fechou a US$ 1,516 a libra-peso.

A valorização da commodity foi resultado da projeção divulgada ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Para o órgão, a atual safra da Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo, atrás de São Paulo, deverá ficar em 69 milhões de caixas. Em novembro, a estimativa era de 74 milhões de caixas.

O único alento nos cálculos do departamento americano é a perspectiva para a produtividade. O órgão projetou que cada caixa de laranja renderá 1,56 galão (equivalente a 5,9 litros). O cálculo é 1% menor do que o do mês passado, mas 4% maior que o rendimento da safra 2014/15.

A produção de laranja no Estado tem sido severamente atingida pelo greening, uma doença bacteriana que provoca a queda prematura dos frutos. Na safra anterior (2014/15), quando a safra também foi atingida pela praga, foram colhidas 96,7 milhões de caixas, conforme o USDA.

Nos últimos meses, os preços do suco de laranja têm alternado períodos prolongados de alta, quando o USDA divulga suas projeções de safra, e quedas expressivas após a divulgação de dados relativos ao consumo. O repasse de preços do suco de laranja no mercado futuro para o varejo tem retraído a demanda, o que acabou criando um teto para a valorização da commodity.

O USDA também divulgou ontem suas projeções para oferta e demanda de soja, milho e trigo, mas houve poucas novidades e o cenário de oferta confortável perdura. O órgão realizou leves cortes nos cálculos para a safra global de soja e milho em 2015/16 e elevou sua projeção para a produção de trigo (ver infográfico acima).

Por Camila Souza Ramos e Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte: Valor