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Oeste investe em irrigação e cisternas

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Produtores se previnem para enfrentar estiagens com recursos do Programa Juro Zero e do BNDES

A estiagem do último verão já se foi, deixando um prejuízo de R$ 748 milhões e 152 municípios em situação de emergência. Para amenizar as consequências de um novo período seco, os agricultores estão se prevenindo. Na região de Chapecó, a Epagri fez 80 projetos de cisternas em 2012, segundo o gerente regional, Valdir Crestani.

Foram investidos cerca de 70% dos R$ 5 milhões em projetos encaminhados ao Programa Juro Zero, do governo do Estado, que banca o juro do financiamento bancário. O restante dos recursos foi para projetos de expansão da atividade leiteira.

Além da construção de cisternas, alguns agricultores estão investindo em projetos de irrigação. É o caso de Romar Nespolo, de Marema. No ano passado, ele já tinha financiado R$ 22 mil para a instalação de um sistema de irrigação em 2,8 hectares de pastagem, pegando a água de um rio que passa pela propriedade. O investimento deu resultado. Ele conseguiu manter a produção de 6,5 mil litros por mês. A estiagem não atingiu a produção de leite. Ele lembra que, em 2008, sua produção baixou para 2,5 mil litros por mês.

Graças à irrigação, ele conseguiu manter uma renda de R$ 5,7 mil por mês. Em compensação, perdeu mais da metade da lavoura de milho, que não era irrigada. Nespolo ficou tão satisfeito com o resultado que pegou outro financiamento, de R$ 50 mil, para irrigar mais dois hectares e ampliar a infraestrutura de produção de leite. Além do encanamento, ele comprou freezer, mais cinco vacas e construiu uma nova sala de ordenha.

O agricultor pegou o dinheiro do governo federal e se cadastrou no programa Juro Zero, do governo do Estado. Com isso não precisa pagar o juro, que é de 2% ao ano, e terá 10 anos para pagar. O projeto foi encaminhado pela Epagri. O engenheiro agrônomo Adilson Barella diz que há crédito disponível e os projetos de irrigação são viáveis.

O secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues, explica que mais de 300 projetos foram beneficiados pelo Programa Juro Zero e mais produtores serão beneficiados com o empréstimo de R$ 60 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). As licitações devem ser encaminhadas ainda neste ano. Rodrigues afirmou que, no próximo ano, serão disponibilizados mais R$ 10 milhões para o programa.

O coordenador da Federação dos Agricultores da AGRICULTURA FAMILIAR de Santa Catarina, Alexandre Bergamin, cobra mais recursos. Segundo ele, 15 mil a 18 mil famílias conseguiram o seguro agrícola, mas muitos produtores ficaram sem renda.

darci.debona@diario.com.br

DARCI DEBONA | Marema

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE – SC