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Oferta de etanol já preocupa as usinas

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O ritmo da moagem de cana no Centro-Sul do país do início da safra atual (2015/16), em abril, até 1º de agosto preocupa as usinas sucroalcooleiras que operam na região. Isso por causa do etanol, cuja demanda doméstica está em forte expansão há meses. Dada a necessidade de algumas empresas de fazer caixa, a oferta até agora também tem sido elevada, o que tem colaborado para a queda dos preços que recebem.

Nesse sentido, especialistas acreditam que um "choque altista" de preços do etanol inevitavelmente vai acontecer, até para conter a demanda e equilibrá-la melhor à oferta. Os grupos mais capitalizados têm sinalizado que vão estocar o produto, de olho nas oportunidades de preço que se desenham mais à frente.

Apesar da elevada oferta de cana no campo – estima-se no mercado que haja até 630 milhões de toneladas disponíveis -, a moagem efetiva não deverá chegar a tanto. Assim, na visão de especialistas, não haverá etanol suficiente para sustentar o elevado consumo mensal atual.

Em julho, o volume de vendas de hidratado das usinas do Centro-Sul às distribuidoras foi o terceiro maior da história para o mês: 1,7 bilhão de litros, 49,7% mais que em julho de 2014. No primeiro semestre, o consumo de hidratado no país atingiu 8,3 bilhões de litros, 38% acima de igual período do ano passado.

Assim, reforçam traders, a partir de agosto os volumes mensais terão que recuar para se equilibrarem à oferta projetada. Considerando-se uma moagem de cana efetiva no Centro-Sul de 590 milhões de toneladas, haveria etanol hidratado para um consumo mensal de agosto até abril do ano que vem de 1,3 bilhão de litros por mês.

Mas esses mesmos traders acreditam que essa projeção de moagem (590 milhões de toneladas) já pode ser considerada otimista, diante dos últimos números da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, divulgados nesta semana. Desde o início da safra 2015/16 até 1º de agosto, foram processadas pelas usinas do Centro-Sul, 279 milhões de toneladas de cana, o que significa que há chances de o número final da safra ficar próximo do patamar de 560 milhões de toneladas. Isso porque se considera que, até agosto, normalmente as usinas já processaram metade da cana que projetaram moer durante toda a temporada.

O atraso na moagem até 1º de agosto reflete as chuvas dos meses de maio e junho, que interromperam os trabalhos de colheitas de muitas usinas no Centro-Sul. Em julho, o tempo seco permitiu algum avanço, segundo algumas companhias, mas será necessário um clima muito favorável para que as usinas consigam alcançar 590 milhões de toneladas.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor