.........

O FUTURO DA TERRA Tradição também é combustível para a inovação

.........

Flávia atua prioritariamente na agricultura familiar

Flávia atua prioritariamente na agricultura familiar

Em muitas regiões do Rio Grande do Sul, o resgate de determinadas práticas e processos, que, com o tempo, caíram em desuso, pode significar uma mudança local muito mais produtiva do que a introdução de uma tecnologia externa. A constatação é da professora da Faculdade de Agronomia da Ufrgs, Flávia Charão Marques. Flávia, que possui Mestrado em Fitotecnia e Doutorado em Desenvolvimento Rural com estágio na Holanda, atua, desde 2011, em uma série de pesquisas dentro do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) da Ufrgs. O foco prioritário dos trabalhos recai sobre a agricultura familiar, com atenção especial às transições sociotécnicas na agricultura ecológica.
Os projetos são delimitados por duas linhas prioritárias. A primeira avalia as transformações tecnológicas necessárias para atingir a sustentabilidade na produção de alimentos. A segunda enfoca as ações sociais, coletivas e de organização nas comunidades no que se refere aos sistema participativos de certificação.
Neste contexto, Flávia destaca que a ideia de inovação, em geral associada à tecnologia e à mecanização da atividade rural, ganha novos contornos e pode emergir principalmente da mudança dos processos. "Tentamos fugir disso e entender o desenvolvimento rural como um todo. Muitas vezes, uma inovação em uma comunidade específica pode acontecer pelo resgate de alguma prática que tenha caído em desuso", comenta.
Segundo Flávia, em determinadas regiões, a redescoberta de alimentos tradicionais proporciona uma nova dinâmica para toda a comunidade envolvida. Ela cita o exemplo de um trabalho realizado com os agricultores ecológicos da Serra, cuja associação de Antônio Prado e Ipê foi uma das primeiras a participar da feira ecológica realizada aos sábados, na rua José de Alencar, em Porto Alegre. De acordo com Flávia, na década de 1980, esses produtores não tinham nenhum tipo de apoio institucional, e a produção de alimentos sem agrotóxicos não estava sequer na agenda de desenvolvimento.
No entanto, as famílias iniciaram um trabalho junto aos técnicos que se aventuravam no então chamado projeto Vacaria e desenvolveram uma série de tecnologias associadas ao resgate de conhecimentos. O resultado, segundo a pesquisadora, é que a primeira associação, que contava com 25 famílias, deu origem a outras entidades, que hoje em dia envolvem 329 famílias em mais de 15 municípios da região.

Flávia Charão Marques será homenageada na categoria Alternativas da Produção

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Fonte : Jornal do Comércio