O arroz nosso de cada dia, valorizado e com boas perspectivas no Estado

Produtor está vendendo a saca com alta de quase 20% em relação a julho do ano passado

Thiago Copetti

thiago.copetti@zerohora.com.br

Se há algo de que os produtores de arroz não poderão reclamar neste ano é do preço do grão. Com apoio da exportação, que atingiu marcas histórias em 2012, alcançando quase 2 milhões de toneladas, o produtor está conseguindo vender a saca pelo preço médio de R$ 33,61. A alta é de quase 20% em relação a julho de 2012. Até agora, sem reajuste ao consumidor.

O preço nos supermercados neste ano teve até queda (cerca de 4%) sobre os valores de dezembro de 2012, quando o quilo custava em torno de

R$ 2,50, de acordo com dados do IPC/Iepe, caindo para R$ 2,40 em junho de 2013. Mas o equilíbrio entre o ganho do produtor e peso no bolso do consumidor não deve durar muito. O reajuste nas gôndolas poderá vir em torno de 15 dias, calcula o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antonio Cesa Longo:

— Em recente contato com fornecedores, já foi dito que não se venderá pelo mesmo valor da última encomenda.

Ainda que venha a alta para o consumidor, os estoques mundiais elevados podem ajudar a conter os preços, sem prejuízo ao setor primário. Até porque os orizicultores têm boas perspectivas para o ciclo 2013/2014. Com o período climático neutro (sem La Niña ou El Niño), a projeção do novo presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, é de que o Estado terá ganho de até 10% de produtividade nesta safra:

— Tivemos chuva e calor demais em determinados períodos. Neste ano, o produtor que agora prepara o solo não deve ter problemas.

Mas o principal recado de Dornelles aos produtores não é sobre o clima. Ele tem como "desafio pessoal" melhorar a gestão das propriedades. O maior gargalo está dentro das fazendas, afirma. Dornelles diz que buscará ajuda do Senar e do Irga para repassar aos produtores o que chama de disciplina econômica: controlar os custos e fazer a venda com eficiência, tornado o negócio verdadeiramente rentável.

Fonte: Zero Hora