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Nutreco avança no Brasil com a compra de mais duas empresas

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Anna Carolina Negri/Valor
Nutreco prevê investir ao menos R$ 30 milhões em uma nova unidade, diz seu presidente no Brasil, Luciano Roppa

Após quase um ano de ajustes em sua estratégia de negócios para o Brasil, a holandesa Nutreco, uma das cinco maiores companhias de nutrição animal do mundo, anunciou ontem as aquisições das empresas do interior paulista Fatec e BRNova, em mais um capítulo do processo de consolidação do mercado nacional de ração.

Com as duas operações, a multinacional holandesa – ela própria em vias de ser adquirida por sua compatriota SHV Holding – deflagra a terceira fase de sua expansão no país, que deve culminar em um aporte de ao menos R$ 30 milhões na construção de uma nova fábrica, disse ao Valor o presidente da Nutreco no Brasil, Luciano Roppa.

A empresa entrou no Brasil em 2009, quando comprou 50% do capital da Fri-Ribe. Dois anos depois, elevou sua participação na Fri-Ribe para 97% e adquiriu a Belmann, empresa de ração com foco no mercado de bovinos. Agora, a companhia reforça a atuação no mercado brasileiro com as aquisições de Fatec e BRNova. O valor das duas transações não foi divulgado.

Segundo Roppa, as duas aquisições elevarão o faturamento da Nutreco em mais de R$ 200 milhões – a Fatec fatura cerca de R$ 150 milhões ao ano, e a BRNova, R$ 80 milhões. Em 2015, a receita da Nutreco deverá chegar a R$ 620 milhões, crescimento de 80% ante os R$ 350 milhões estimados para este ano.

Do ponto de vista de produção, Fatec e BRNova acrescentam 40 mil toneladas à capacidade da Nutreco, que tinha potencial para produzir 230 mil toneladas ao ano nas sete fábricas que já tinha no Brasil. Mas Roppa minimiza os números. A dimensão estratégica vai além da capacidade, afirmou ele.

As duas empresas recém-adquiridas pela Nutreco são especializadas na produção de premix (pré-mistura de minerais e vitaminas usada na composição de rações) para aves e suínos, dois segmentos em que a empresa ainda não atuava – a holandesa é forte em ração para bovinos e peixes. Com as compras da Fatec e BRNova, Roppa estima que a Nutreco terá uma participação de 7% no mercado de frango de corte, 25% no de aves poedeiras, 18% no mercado suínos, bem como uma fatia de 6% no mercado de bovinos de leite.

Ao incorporar a produção de premix para aves e suínos, a Nutreco poderá atingir as grandes integrações, a exemplo de BRF, JBS, Aurora e outras cooperativas que atuam no setor. "Tínhamos ração pronta para aves e suínos, mas os grandes clientes não compram", explicou Roppa. Tradicionalmente, os grandes clientes do setor têm fábricas próprias de ração e só compram os premixes produzidos por empresas de nutrição como a também holandesa DSM, a francesa InVivo e, agora, a Nutreco.

Com sede no município de Arujá, na Grande São Paulo, a Fatec detém o espaço que abrigará a nova fábrica da Nutreco, de acordo com Roppa. A construção da unidade, voltada para a produção de premix, é necessária porque a BRNova, também adquirida, não tem fábrica própria e hoje terceiriza produção.

Segundo o presidente da Nutreco no Brasil, serão necessários de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões para erguer a nova unidade. A expectativa é que as obras comecem no segundo semestre de 2015. "A fábrica vai ficar pronta no fim de 2016", prevê. Conforme Roppa, a aquisição da BRNova se justifica mesmo diante dos investimentos necessários na construção da fábrica porque, ao assumir a empresa de premix, a Nutreco também adquire a base de clientes, o que não ocorreria se apenas construísse uma fábrica.

Com as duas aquisições e o projeto de construção da nova unidade, Roppa indica que as prioridades da Nutreco já estão definidas e que novas aquisições não estão no radar. "Precisamos consolidar os dois negócios", afirmou.

Além dos desafios internos, Roppa também terá de lidar com a provável venda da própria Nutreco, que tem ações listadas na bolsa de Amsterdã e fatura cerca de € 4 bilhões. Em novembro, a empresa recebeu uma oferta de US$ 3,7 bilhões da também holandesa SHV Holding, grupo controlado pela família Fentener van Vlissingen – só no Brasil, a SHV controla a varejista Makro. Mas Roppa não vê a situação com preocupações, já que há o indicativo de que os membros da administração seguirão na companhia.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes e Fernanda Pressinott | De São Paulo